Meta 2030

Tem muitos anos que tenho mesclado a leitura de livros clássicos com outros best sellers e isso acabou virando uma marca da minha personalidade. Gosto da ideia de ser uma surpresa pros meus amigos (e pras poucas pessoas que me acompanham) aquilo que vou ler na sequência. E tenho me divertido muito escolhendo as próximas leituras. Mas o que poucos sabem é que isso começou de forma deliberada, no final da década de 2000, quando vi que ter um repertório grande seria muito importante pra minha carreira como jornalista e, futuramente, pra me tornar o comunicólogo que sou atualmente. Como na época meu repertório de livros clássicos não era tão grande assim, fui estudar, fiz formação complementar em literatura brasileira na faculdade e, em 2012, formalizei uma meta.

A primeira lista de livros clássicos que montei tinha previsão pra ser revisitada em 2017. Na época, selecionei 55 livros – megalomaníaco, sei – pra ler nos cinco anos seguintes e consegui apenas 20 no prazo que estipulei pra mim mesmo. Então fui lá e renovei a a meta pra 2020, com 25 livros novos. Mas ser pé no chão não adiantou nada e li só sete. Então, teimoso, fui lá e coloquei uma nova meta pra 2025, dessa vez com 30 livros. O desempenho foi um pouco melhor (li nove), mas mesmo assim muita coisa ficou pra trás. E como não tenho vergonha na cara, estou aqui pra estabelecer uma nova meta, dessa vez pra 2030.

Em minha defesa, dessa vez tenho uma questão positiva ao meu favor. Desde que comecei a comprar livros pra minha coleção particular, acumulei mais obras paradas do que lidas. Isso tem, sei lá, quase 20 anos, e era algo que sempre me incomodou. Aos poucos fui tentando chegar ao mágico número de zero livros não lidos na estante, mas sempre falhei miseravelmente. Mas agora posso falar com orgulho que tô muito próximo de conseguir isso. Estamos em junho de 2026 e faltam apenas só 18. Levando em consideração que não estou comprando nada e tenho mais de 800 em casa, a porcentagem está baixíssima. E estou empenhado em fazer isso acontecer o mais rápido possível.

Dito isso, vamos pra lista. Vou manter o mesmo critério das últimas, respeitando a paridade entre autores e autoras pra trazer diversidade pra minha leitura. Também não vou colocar nenhum livro que já esteja na minha estante, vou começar do zero mesmo – pensando que já li todos que estão aqui. E se conseguir atingir 80% dos 30 selecionados (ou seja, 24), me darei por satisfeito.

Enfim, eis os escolhidos:

Não lidos

  1. A alma encantadora das ruas – João do Rio
  2. A insustentável leveza do ser – Milan Kundera
  3. A invenção de Morel – Adolfo Bioy Casares
  4. A loteria e outros contos – Shirley Jackson
  5. A mão esquerda da escuridão – Ursula K. Le Guin
  6. A volta do parafuso – Henry James
  7. Americanah – Chimamanda Ngozi Adichie
  8. As meninas – Lygia Fagundes Telles
  9. Bagagem – Adélia Prado
  10. Crime e castigo – Fiódor Dostoiévski
  11. Ensaio sobre a cegueira – José Saramago
  12. Guerra e Paz – Léon Tostói
  13. Jane Eyre – Charlotte Brontë
  14. Kindred – Octavia Butler
  15. Laços de família – Clarice Lispector
  16. Memorial de Maria Moura – Rachel de Queiroz
  17. O apanhador no campo de centeio – J. D. Salinger
  18. O cortiço – Aluísio de Azevedo
  19. O jogo da amarelinha – Julio Cortázar
  20. O mestre e margarida – Mikhail Bulgákov
  21. O segundo sexo – Simone de Beauvoir
  22. O vermelho e o negro – Stendhal
  23. Obscena Senhora D – Hilda Hilst
  24. Oliver Twist – Charles Dickens
  25. Pedro Páramo – Juan Rulfo
  26. Pequenos Pássaros – Anaïs Nin
  27. Quarto de despejo – Carolina Maria de Jesus
  28. Ratos e homens – John Steinbeck
  29. Romanceiro da Inconfidência – Cecília Meirelles
  30. Vozes de Tchernóbil – Svetlana Aleksiévitch
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