Preciso confessar uma coisa: achei que meu desempenho no quesito seriados assistidos seria muito pior do que foi. Não precisa se empolgar, o resultado foi horrível. Mas, na minha cabeça, não tinha visto nem 100 episódios direito. No fim, acabei rompendo a barreira dos 150 e até tiveram umas coisas legais no meio disso. Mas isso acionou um alerta no meu cérebro. Foi justamente nos seriados que minha falta crônica de concentração mais pegou. Simplesmente não conseguia sentar direito na frente da tv para ver qualquer coisa sem meu cérebro correr pra alguma obrigação que deveria estar fazendo. Isso é terrível e preciso muito repensar esse ponto para 2026.
Enfim, acabou que, por ter assistido a pouca coisa, a lista desse ano vai precisar ser tão curta quanto a do ano passado. Até mesmo porque comecei a ver umas coisas e larguei no meio, deixei acumular outras que acompanhava com frequência. Ou seja, o saldo não é bom. Mas o ponto positivo é ter terminado algumas que estava arrastando há algum tempo. Além disso, vi um dos melhores finais de séries dessa década e fiquei muito feliz por isso. Vou falar com calma quando chegar nele, mas saiba que a temporada final inteira é maravilhosa.
Dito isso, vamos aos melhores episódios que vi em 2025.
Cem anos de solidão – Tantas flores cayeron del cielo (s1e08)

Quando saíram as primeiras notícias de uma adaptação do livro do Gabriel García Márquez, fiquei cético. Adaptar Cem anos de solidão seria muito, mas muito difícil. Então dei play no primeiro episódio ainda com o pé atrás, mas fui fisgado rapidamente. A Netflix conseguiu fazer uma produção que exala a aura do livro. Que carrega um realismo mágico em cada transição de tempo, em cada design de produção de Macondo, em cada interação dos inúmeros Aurelianos e José Arcádios. Os absurdos, enfim, não parecem tão absurdos em tela. Eles simplesmente estão ali e são belíssimos.
O episódio que encerra a temporada é uma divisão perfeita do livro. O fim de um personagem que acompanhamos desde o primeiro momento e uma das cenas mais icônicas do livro. Era algo que poderia ficar brega, mas fica lindo. Um simbolismo para Macondo e uma transição para a família Buendía, que foram super bem retratados ali. Já estou louco para a segunda temporada, prevista para agosto de 2026.
Adolescência – Episode 3 (s1e03)

Essa foi uma das minisséries que mais chamou atenção do mundo ao longo de 2025 e atiçou minha curiosidade a ponto de assistir aos quatro episódios quase em uma só pegada – coisa que, como disse, foi algo muito raro ao longo de 2025. As escolhas de estilo me agradaram muito, desde ser tudo filmado em um grande plano sequência até a decisão de seguir personagens diferentes em cada episódio. Isso traz limitações, lógico, mas deixa tudo mais interessante na hora de se pensar em como contar a história.
Meu episódio de destaque é justamente um que trabalha essa questão de forma extrema. Esqueça planos mirabolantes, câmeras passando por janelas e perseguindo pessoas, muitos figurantes. O melhor episódio da série é aquele que se passa todo dentro de uma sala, só com a presença do menino e da psicóloga, debatendo o que o levou a cometer o assassinato. Tem uma tensão constante, uma crescente na forma como ele se revela um grande incel e duas atuações que conseguem achar um ponto perfeito entre vulnerabilidade, medo e ameaça. Inclusive gravei um episódio sobre a série que vale ouvir.
Big Mouth – The great unknown (s8e10)

Sempre gostei muito de todos os absurdos de Big Mouth. Sei lá, tem uma coisa na estranha naturalidade com que eles falam sobre os problemas da puberdade, dos relacionamentos e da sexualidade que me encanta desde a primeira temporada. Rolas voando em tela, vaginas cantando, pentelhos solitários e monstros do hormônio querendo transar a todo o momento fizeram parte desses meus últimos oito anos. Por isso a despedida da série é tão marcante para mim.
Escolhi colocar o episódio final aqui, mas bem que poderia ser o anterior. Em Everything we forgot to tell you about sex (Tudo que esquecemos de te contar sobre sexo, em tradução livre), eles pegam vários temas que não foram abordados ao longo das temporadas e fazem pequenas esquetes, como que para cumprir um checklist de absurdos que passaram batidos. Mas The great unknown (O grande desconhecido) é o fechamento emocional que precisava. Não é um ponto final, mas sim a constatação de que essa fase da vida acaba e novos – e desconhecidos – desafios estão por vir. É simples, mas ver todos os personagens caminhando em direção à luz é um ótimo fechamento.
The Marvelous Mrs. Maisel – Four minutes (s5e09)

Estamos diante do melhor final de uma série da década de 2020 até o momento e, cravo aqui, um dos melhores finais de todos os tempos. Mas não foi só um último episódio bom. Toda a quinta temporada foi incrível para concluir do arco de crescimento das personagens e para mostrar o que aconteceu com elas no futuro. O impressionante, porém, é como isso é narrativamente construído, com episódios que brincam com a forma de contar histórias sem cair em uma simples narração de coisas.
Mas o último episódio tem um gosto ainda melhor do que os demais. Porque é nele que vemos, de fato, a ascensão da Midge Maisel, coisa pela qual ela lutou tanto tempo. Termina com a fagulha que torna ela tão famosa e importante para a comédia. E tudo com um monólogo final que é simplesmente genial, em que você sente cada palavra que é dita por ele. Você ri, chora. Sem falar que a conclusão das personagens é perfeita, com uma cena final que representa muito bem tudo o que foi a série. Se quiser ter opiniões mais detalhadas, ouve o podcast que gravei sobre a última temporada.
Menção honrosa
Desde que Invencível estreou, a proposta me deixou animado. Apesar de ser uma arte mais “tosquinha”, que atraiu uma série de críticas, a qualidade dos roteiros sempre foi algo bem marcante. E já começa com um primeiro episódio com uma reviravolta surpreendente, com a coragem de praticamente matar todos os personagens que haviam sido apresentados e introduzir aquele que seria o grande vilão para o público. A partir daí, a qualidade se manteve.
A terceira temporada da série manteve essa boa qualidade, tanto que não consegui destacar apenas um episódio. Toda a disputa do Mark com o governo, o relacionamento com a Eve e as mortes impactantes que tiveram me deixaram empolgado com o que está por vir. Tanto que até comecei a colecionar os quadrinhos, coisa que eu não fazia há muito tempo. Isso é só para ver o nível que fiquei. Mal posso esperar pela próxima temporada.

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Seriados assistidos em 2025
Abbott Elementary, Adolescência, Big Mouth, Cem anos de solidão, Chespirito, Citas Barcelona, Entourage, Invencível, Muito esforçado, O estúdio, Soltos no Carnaval, Stranger Things, Treta, The Marvelous Mrs. Maisel, Um maluco no pedaço e Welcome to Derry.
Promessas para 2026
- Terminar as séries pendentes na minha lista: Barry, Black Mirror, Capitu, Entourage, Loki, Sintonia, Sopranos, The bear, The boys, The crown, The walking dead, Um maluco no pedaço e What if…
- Finalmente assistir Mad Men, Six feet under ou The wire completas.
Comecei a vida dentro de um laboratório de química, mas não encontrei muitas palavras dentro dos béqueres e erlenmeyers. Fui para o jornalismo em busca de histórias para contar. Elas surgem a cada dia, mas ainda não são minhas. Espero que um dia sejam.
