Se ano passado tudo o que consegui consumir foram seriados, em 2024 a realidade foi completamente diferente. Não que tenham sido poucos episódios vistos. Seria hipocrisia da minha parte falar que 239 é um número baixo, mas está muito inferior ao que costumo fazer e da meta de chegar a dois por dia. A pior parte, porém, é que teve pouca variedade. Comecei a ver algumas coisas novas e não terminei. Não dei continuidade às coisas que estava assistindo antes. Enfim, foi um caos.
Até mesmo por isso, a lista deste ano vai ser bem mais curtinha. Tiveram alguns episódios excelentes, mas não foram tantos assim. As séries que vi se mantiveram em um bom nível, regulares, o que me fez ter dificuldade para ressaltar aqueles episódios que realmente saltaram aos meus olhos. Além disso, como não terminei várias que estava planejado para terminar (fiz isso só com Atlanta, Sex Education e Young Sheldon, das que já acompanhava), acabou que vai ser uma lista bastante desfalcada.
Enfim, vamos aos melhores episódios que assisti em 2024.
The Bear – Fishes (s2e06) e Forks (s2e07)

Aqui estamos falando de duas pequenas obras-primas da televisão. Assisti às duas primeiras temporadas de The bear este ano e há episódios incríveis nas duas. Mas Fishes e Forks conseguem se destacar mesmo diante de um nível já altíssimo. Isso porque a segunda temporada apresentou formas diferentes de contar a história macro, dividindo o protagonismo do Carmy com os demais integrantes da cozinha. Isso foi lindo e deu outro ritmo para a trama.
Forks é justamente isso. É o ponto de virada para o personagem do primo, que até aquele momento estava se sentindo deslocado diante de todas as mudanças promovidas pelo Carmy e pela Sydney no restaurante. É um respiro em meio ao clima constante de ansiedade que toma conta da série, com direito a uma aparição surpresa – e incrível – da Olivia Colman. Já Fiches é o completo oposto. É a confusão de um jantar na família Berzatto antes da morte do Michael. Aqueles planos sequência maravilhosos em que a câmera pula de situação em situação com a naturalidade de quem anda pela casa à procura de um lanchinho. É um show de atuação, roteiro e direção ao mesmo tempo. É lindo.
Ted Lasso – So long, farewell (s3e12)

Aproveitei este ano para assistir a Ted Lasso pela primeira vez e foi uma jornada excelente. Apesar de a terceira temporada ser um pouco inferior às demais, a saga do treinador com o coração mais quentinho das séries me deixou apaixonado até o último episódio. É justamente ele que quero destacar na minha lista de melhores do ano.
Com um nome inspirado pela clássica música de A noviça rebelde, o episódio tem aquela difícil missão de fechar a série de forma satisfatória. Assim como na canção, cada personagem tem seu momento de se despedir do público, com desfechos que fazem muito sentido para o que ele passou ao longo das três temporadas. É um final agridoce e fofo, ao mesmo tempo – do jeitinho que Ted Lasso sempre foi. E, se me pedissem uma opinião impopular, a série não deveria voltar para a 4ª temporada. Para mim terminou ali e estaria lindo.
Heartstopper – Journey (s3e04)

Talvez o episódio mais importante da terceira temporada de Heartstopper seja Journey. É quando todas as angústias e inseguranças do Charlie, que rondam o personagem desde a temporada anterior, são enfim colocadas para fora. É quando ele começa a buscar ajuda médica, quando os amigos dão o suporte que ele precisa para enfrentar as disfunções que possui com a comida. É difícil, como deve ser, mas tem aquele quentinho no coração que só Heartstopper consegue colocar.
O título do episódio é muito assertivo sobre isso. Não há cura milagrosa, é tudo uma jornada. É um passo de cada vez. É celebrar as pequenas vitórias, que antes eram tão difíceis de se obter. É enfrentar os próprios demônios internos a todo momento. É ver que, com as companhias certas, toda essa luta pode ser um pouco menos dolorosa. É Heartstopper em seu pico, mostrando tudo que tem de melhor.
Menção honrosa – Haikyuu!
Não sou muito versado em animes e tentei dar uma chance para começar e me tornar um otaku. Depois de ouvir muitas recomendações diferentes de amigos e do meu sobrinho, decidi começar por Haikyuu!. Sabia apenas que era um anime de vôlei quando dei play, porque tinha noção do impacto que ele causou para o esporte no Japão. Mas era só isso mesmo.
O que me foi entregue foi muito mais do que eu imaginava. Não podia prever que ele seria um shōnen tão eficiente, com um bom desenvolvimento dos dois protagonistas e me fazendo importar com todos os personagens secundários. Chegou um momento em que eu estava completamente envolvido por partidas de vôlei fictícias que duravam muitos e muitos episódios, em que os pontos demoravam dias para acontecer porque havia toda uma reflexão em cima. Isso me conquistou desde o primeiro episódio e agora já estou doido para ver os filmes e saber como a história termina de fato.

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Seriados assistidos em 2024
Abbott Elementary, Amiga genial, Atlanta, Cowboy Beebop, De volta aos 15, Haikyuu, Heartstopper, Invencível, Pokémon: Horizontes, Senna, Sex education, Soltos em Salvador, Ted Lasso, The bear, Turma da Mônica: origens e Young Sheldon.
Promessas para 2025
- Terminar as séries pendentes na minha lista: Barry, Loki, Sopranos, The bear, The boys, The crown, The marvelous Mrs. Maisel, The walking dead e What if…
- Finalmente assistir Mad Men, Six feet under ou The wire completas.
- Encontrar uma série de comédia de 30 minutos para maratonar.
- Terminar o ano sem séries pendentes na lista.
Comecei a vida dentro de um laboratório de química, mas não encontrei muitas palavras dentro dos béqueres e erlenmeyers. Fui para o jornalismo em busca de histórias para contar. Elas surgem a cada dia, mas ainda não são minhas. Espero que um dia sejam.
