É que eu ainda tenho fome, mano
Juro que ainda tenho fome, mano
FOME – Djonga

Escrever a redenção de um ano que considero ter sido péssimo poderia ser até difícil, mas sei que esse retrogosto ruim deixado por 2025 é só uma forma do meu lado emocional, raso e imediatista, falar mais alto do que deveria. Porque, no balanço geral das coisas e de forma mais racional, tenho consciência de que fiz e de que vivi coisas muito legais. Tem sido difícil me convencer disso, admito. Mas essa crônica é um exercício para isso. É só olhar com outros olhos, como diria o Fiyero para a Elphaba quando eles se encontram novamente na segunda parte de Wicked. Ou como minha própria psicóloga me disse várias vezes ao longo desse ano, de que preciso ser um pouco mais gentil comigo mesmo. Então vamos tentar fazer isso.

Quando escrevi a redenção de 2024, reforcei que precisava encontrar um propósito, algo que me deixasse feliz e me tirasse de vez desse sentimento de apatia, vazio e solidão que venho sentindo. Óbvio que as coisas que aconteceram em 2025 me atrapalharam nesse caminho, não vou negar. Mas agora meio que sei o que me deixa feliz e me traz uma satisfação interna. Aliás, tenho que ser sincero com você que está lendo. Sempre soube o que me deixava assim. Mas tem quase dez anos que me atolei tanto com outras coisas que estava ignorando essa parte. Agora é a vez de tentar dar mais valor para isso.

Teve um dia na terapia que estávamos fazendo um exercício de desenhar coisas que me deixam feliz. Falei da minha família, falei dos meus amigos, falei até do trabalho, mas uma coisa me chamou atenção nos desenhos que fiz: tinha lá uma parte de estimular meu lado criativo. Desde que comecei a escrever crônicas – e, posteriormente, fazer conteúdo sobre livros para a internet –, tinha a premissa de que queria causar impacto positivo na vida de alguém. Nunca quis mudar o mundo. Queria só que alguém visse aquilo e se sentisse bem. Que trouxesse algo legal. Há dez anos a vida foi me tirando esse prazer aos poucos. Mas esse ano eu resgatei isso e vi o quão bem me faz.

Comecei a produzir vídeos curtos como uma válvula de escape. Estava com saudade de fazer essas coisas e publicar. De trazer coisas legais para o mundo e mostrar para as pessoas. Fiz de forma despretensiosa e agora já faz parte da minha rotina. Eu me divirto pensando em coisas legais que posso fazer. Em projetos que posso começar. Isso me deu uma vida nova, acendeu uma chama dentro de mim que achei que tinha morrido há tempos. Minha meta para 2026 é não deixar essa chama apagar. Porque é isso que tem me animado todo dia a levantar da cama. É o que ocupa a minha cabeça e faz minha criatividade trabalhar. E poucas coisas me deixam mais feliz do que quando estou em pleno fluxo criativo. Entendo bem aquela cena de Soul quando as pessoas entram em um fluxo. Sou assim e estava sentindo falta dessas catarses.

Dito isso, também foi o ano em que mais viajei pelo país. Eu conheci Manaus, conheci diversas cidades da Bahia. Viajei pela primeira vez com um dos meus melhores amigos, depois de oito anos que a gente é amigo. Fiz outras viagens com amigos mais recentes, mas tão importantes quanto. Fui a muitos sambas, aproveitei o Carnaval em sua plenitude, fiz inúmeros churrascos e reuni pessoas que são muito importantes para mim. Mas também teve o momento de sentar com esses amigos e conversar sobre as calmarias do dia a dia. De entender que eles estão ali para mim e eu estou ali para eles. Se teve uma coisa boa do meu então melhor amigo não querer mais conversar comigo é que a minha rede de apoio foi foda. Não tenho outra palavra para descrever. Foram eles que seguraram minha barra esse ano e fizeram meu ano ser bom – escrevi “menos pior” e apaguei porque não achei justo, foi bom por eles.

Até mesmo os baques profissionais de 2025 me mostraram que dá para enfrentar os problemas e sair vivo deles. Às vezes o custo é alto? Sim. Mas consegui cumprir minha maior meta para o ano e fiquei muito feliz por isso. Era um problema crônico que se resolveu e, espero, continue amenizado ao longo de todo 2026. Será um ano difícil, em que vou fazer muitas coisas novas e grandiosas, mas sei que estou preparado para isso. Vai exigir aquele sacrifício de sempre, mas estou empolgado como há muito tempo não ficava quando o assunto era trabalho.

E lógico que isso tudo vai dar um trabalho fudido para acontecer. Tenho decisões importantes a tomar, mas elas já não são mais tão urgentes na minha cabeça. Quero apenas seguir com os planos que tracei. Colocar cada vez mais coisa legal no ar, que tenham a minha cara e a minha alma. Vou começar o ano com uma tatuagem nova e ideias grandiosas. É para isso que vou me dedicar ao longo do ano. Quero chegar ao final de 2026 orgulhoso de que dei alguns passos em direção a isso, sempre em busca de ser a minha melhor versão.

*Como no exorcismo, não vou revisar ou editar este texto. O objetivo é ser um desabafo, não uma aula de literatura ou gramatical.