[CRÍTICA] Ao cair da noite – Stephen King

Ao cair da noite

Stephen King
Publicado em 2008
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Não estava pensando em comprar Ao cair da noite, pelo menos não agora. Por isso, não tinha lido nada a respeito, não sabia do que se tratava e não queria mais um King este ano (que já teve Duma Key e A história de Lisey). Foi quando cheguei à livraria, vi o livro por lá e resolvi ler a sinopse. Na hora que vi que era de contos, minha mente soltou um “That’s a bingo” e comprei.

Para falar do livro, nada melhor do que comentar brevemente cada um dos treze contos, na ordem que aparecem no livro:

Willa: O primeiro conto de um livro tem a responsabilidade de convencer o leitor a continuar. Em Willa, o fator surpresa é determinante, mas ele é mais do que isso. É um conto romântico, que trata sobre escolhas, nessa e na próxima vida.

A corredora: A perda do filho fez com que Emily começasse a correr. Ela treinava tanto que teve problemas com o casamento e foi morar em uma ilha quase deserta. Lá se depara com um assassino e a descrição da perseguição dos dois faz com que A corredora seja o terceiro melhor conto deste livro.

O sonho de Harvey: “Se você contar seus sonhos, eles não se tornam realidade”. Mas quando o marido de Janet, que sofre de Alzheimer, conta o sonho da noite anterior, o medo toma conta da mulher. O final é previsível e a construção da protagonista não ajuda o conto a se desenvolver. Uma das histórias medianas do livro.

Posto de parada: Um escritor em crise com seu alter ego presencia uma briga de casal no banheiro de um bar na beira da estrada. Tinha tudo para ser legal, mas se perde desde o início. A dualidade do protagonista não funciona tão bem quanto o previsto.

A bicicleta ergométrica: A melhor expressão para descrever esse conto é “dorgas, manolo”, embora dorgas seja algo que não existe nesse conto, que é sobre ser saudável e cuidar do colesterol. O problema aparece quando você exagera nisso e acaba pirando. Por falar em exagerar, o tamanho desse conto é o pior ponto contra ele, porque começa a ser detalhista demais quando não precisa e deixa a leitura maçante.

As coisas que eles deixaram para trás: Se Staley sobreviveu ao atentado de 11 de setembro por mera sorte, os amigos do escritório não tiveram o mesmo destino. E tudo começa a desmoronar quando objetos dos falecidos começam a aparecer misteriosamente no apartamento de Staley. Se escrever sobre o pós 11 de setembro é complicado, se livrar das lembranças dele é ainda pior. É nisso que o conto se sobressai.

Tarde de formatura: O mais curto e o mais deslocado dos contos deste livro. Como é pequeno, nem vou falar da história, mas a motivação dos personagens é banal e o comportamento deles, principalmente da protagonista, diante do acontecimento final é muito fraco.

N.: Sem dúvidas o melhor (e também o maior) conto do livro. Narra a história de N., um paciente psiquiátrico com TOC proporcionado por um motivo sobrenatural, ligado à ordem do mundo. Aos poucos o psiquiatra também começa a entrar de cabeça naquele mundo, tornando esse o conto mais denso e mais psicologicamente pesado de todos. O mais legal é que ele é escrito como se fossem os relatórios psiquiátricos do paciente e, posteriormente, as próprias notas do psiquiatra. Fantástico.

O gato dos infernos: “Não acredito nisso – disse Halston – O senhor me contratou para matar um gato?”. A premissa é simples e engraçada: um matador de aluguel foi contratado para matar um gato que supostamente está se vingando da sua família e teria matou três pessoas. Sim, essa é a história. Ver como o gato arquiteta o plano de destruição é o mais legal e faz com que esse conto entre no top 5.

The New York Times a preços promocionais imperdíveis: Esse conto e Willa podem dar as mãos. Romântico e até mesmo bobinho. A história de um casal separado por um acidente de avião, em que o marido consegue ligar para a esposa após a morte. Na minha opinião, essa é a história que mais se adequa a um conto e o final nada deixa a desejar ao esperado para o gênero.

Mudo: Dar carona para um surdo-mudo pode ser a solução de todos os seus problemas se você está precisando desabafar assuntos muito complicados. Monette aproveitou a oportunidade para jogar seus problemas conjugais em cima de um cara que encontrou na estrada. No final, acabou parando em um confessionário para contar os pecados. É então que começa o conto, um dos melhores do livro.

Ayana: Esse conto é bem parecido com A espera de um milagre, do próprio King. A semelhança é o fardo de poder curar as pessoas e os impactos que isso tem na vida de quem recebe o dom. A diferença é que funcionou bem no romance. No conto ficou corrido e prejudicou o andamento da história.  

No maior aperto: Quando você e seu vizinho brigam por um terreno, acabam virando inimigos mortais. Quando esse vizinho resolve se vingar de você, deixando-o à beira da morte em um banheiro químico, você tem um dos contos mais surpreendentes de Ao cair da noite. Claustrofobia e desespero são palavras adequadas para descrevê-lo.

A conclusão é que é um bom livro de contos, com alguns inesquecíveis, dignos de entrarem para os melhores escritos pelo King. Para um leitor casual, tenho certeza que é uma leitura divertida.

P.S: Na hora de escrever essa crítica, minha cabeça fundiu e tive que escrever o post que publiquei ontem aqui no blog. Vale também a leitura de E o conto?

Ao cair da noite
Stephen King
Editora Objetiva – Selo Suma de Letras, 2011
398 páginas

Deixa ele aí escrevendo as coisinhas dele. Dizem por aí que é jornalista, mas ele só quer compromisso com a bobajada na internet.
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