[CRÍTICA] Duma Key – Stephen King

Meu terceiro livro do King na estante. Meu primeiro foi ‘A Coisa’, um calhamaço de mil páginas de terror do início ao fim. O segundo foi ‘Quatro Estações’, um dos livros mais legais e diferentes que eu já vi o King escrever. O terceiro, pra deixar minha estante só com livros bons, é ‘Duma Key’.

Comprei em “promoção” na Leitura. Beijos por terem colocado o preço errado…

Já li livros bons, médios e ruins do Stephen King. Os livros mais recentes que eu li dele, da fase pós-acidente-quase-fatal, não eram tão bons (Buick 8 e Celular, beijos). Mas dizem que ele acertou a mão em LOVE e eu posso falar que ele realmente acertou a mão no livro seguinte: Duma Key.

Essa capa é bem mais bonita e real que a minha

Antes de mais nada, vamos fazer uma sinopse da história. Edgar Freemantle é um bem sucedido figurão no ramo da construção. Porém, em um dia normal de trabalho, o carro em que ele estava é atropelado por um guindaste e ele tem sérias sequelas, perdendo o braço direito e sofrendo traumas no cérebro. A partir de então sua vida vira de cabeça para baixo. Ele se separa de sua esposa e se muda para uma pequena ilha chamada Duma Key. Lá ele começa a pintar e começa a perceber que suas pinturas são, ao mesmo tempo, uma dádiva e uma maldição.

Bem resumido, Duma Key é isso. Duma Key também é um livro no melhor estilo Stephen King. Ele transporta o leitor para um mundo onde o sobrenatural é racionalmente possível, nos faz entrar de cabeça nesse mundo e passamos a sofrer os mesmos problemas do protagonista.

Duma Key em nenhum momento é um livro de terror. O seu grande mérito é a batalha psicológica e a tensão envolvida em cada um dos mistérios e em cada um dos acontecimentos da trama. Isso tudo é acentuado porque o narrador é em primeira pessoa e literalmente estamos dentro da cabeça de Edgar vivendo cada uma de suas angústias. É desesperador lidar com um narrador que tem problemas de memória, que esquece frequentemente as palavras que quer usar e quem tem surtos frequentes.

Junto com essa narrativa, temos uma narrativa em paralelo simulando um livro de “Como fazer um desenho”. Aquelas inserções que, no começo parecem sem sentido, são fundamentais para entendermos todas as motivações por trás do que está acontecendo em Duma Key.

Aliás, falando na ilha, já é natural nas obras do king que os cenários sejam personagens participantes de sua obra. A ilha tem personalidade. Possui uma parte que é inabitável, que sufoca as pessoas que vão para lá. O mar traz, ao mesmo tempo, o conforto das visões dos pores-do-sol e a certeza da morte. A areia da praia é o espaço de conquista, de recuperação. Até mesmo as pedras que fazem barulho durante a noite têm sua importância.

Isso sem contar os próprios quadros pintados por Edgar, que mostram a estranha ligação entre toda a trama, além da ligação que é feita entre todos os personagens que moram na ilha. Todo o surrealismo presente nas telas é mostrado através dos devaneios do protagonista e, com isso, temos uma exata sensação do que a obra está causando naquele contexto.

Conchas, bonecas e bolas de tênis. Precisa de algo mais?

E, talvez pela primeira vez nos grandes romances do King, o final-pós-climax-macabro me deixou feliz. Um final completo, que finalizou a obra de maneira encantadora. Apesar de ser um calhamaço de mais de 600 páginas ele não se torna maçante.

Já pode ser considerado um dos clássicos do King e a sua leitura é super recomendada. Mas atenção, não faça desse o seu primeiro King. Leia outros antes para apreciar Duma Key como se deve…