Ter um fone no ouvido e uma música tocando ao fundo tem se tornado algo cada vez mais especial. Em um ano difícil como foi 2025, esses momentos foram a garantia de que eu estava em paz. Significavam estar em contato comigo mesmo, concentrado em algo que precisava ser feito naquele momento. Poder ouvir música é sinal de que as coisas estão caminhando. E, no estado atual da mente, isso é a única coisa que tem me deixado tranquilo.
Por estar buscando esses momentos com tanta urgência, faz sentido ter novamente ultrapassado as 30 mil músicas ouvidas. Em 2024, fechei o ano com 30.118. No dia 25 de dezembro de 2025, estou com 30.536 – número que, com certeza, vai aumentar bastante até o dia 31. Também ouvi mais artistas do que no ano passado, mais músicas diferentes e mais álbuns. Apesar de algumas obsessões, que ficarão bem evidentes nos gráficos abaixo, consegui manter a diversidade de coisas ouvidas, o que é sempre positivo.
Mas o mais interessante é perceber que aquilo que ouço com maior frequência está bem consolidado, mas ainda tem espaço para entrar gente nova. Isso ocorre, principalmente, quando tem um show do artista em um horizonte próximo. É quando ativo meu modo loucura e passo dias ouvindo tudo para me preparar e cantar a plenos pulmões. Além disso, sei que é uma lista majoritariamente masculina, mas prometo que ouço de tudo sem preconceitos, ok?
Também é bom lembrar que os indicadores são retirados do meu perfil no Last.fm. Como ele é integrado ao Spotify, os resultados são bem próximos à realidade. Enfim, vamos às listas:
Artistas mais ouvidos

Vamos começar com o óbvio: esse ano, minha obsessão com o Bad Bunny ficou escancarada. Não só a minha, vamos combinar. Esse foi o melhor ano da carreira do cara e, se quiser, podem me considerar modinha por tê-lo em primeiro na minha lista. Mas curto o som dele há muito tempo e Debí tirar más fotos chegou só pra mostrar pro Brasil inteiro o quão bom ele é. Um som divertido e político ao mesmo tempo, com músicas incríveis e que me acompanharam em todos os momentos. Na academia, no ônibus, no trabalho, em casa. Não importa. O homem estava sussurrando no meu ouvido. E isso vai ficar ainda mais evidente nas listas a seguir, então não vou nem dar mais destaques aqui.
Outra novidade da lista é o João Gomes. De novo, é alguém que dispensa apresentações. Ele foi o rei do Brasil em 2025, conquistando todo mundo com o carisma e com sua voz forte. Mas ele me ganhou de vez com o álbum Dominguinho, que sabia desde o lançamento que estaria entre os mais ouvidos do meu 2025. Beija-flor é a que mais gosto e foi a mais ouvida, mas também merecem destaque as incríveis Lembrei de nós e Flor de flamboyant.
Os demais são figurinhas carimbadas na minha lista de mais ouvidos. Mas nem por isso eles deixaram de apresentar coisas novas. O Braza veio com o lançamento de Baile cítrico utópico solar e as três músicas deles que mais ouvi esse ano são desse álbum: Vai dar bom, Magnética e Te encontrar. Também fui em mais um show dos caras e ainda topei com o Danilo em Caraíva, na minha viagem de férias. E Forfun tá na lista dos mais ouvidos de tabela, porque aí fica completo para o Bruno adolescente ficar feliz.
Quem também lançou coisa nova esse ano foi o Don L, com o incrível Caro vapor II – Qual a forma de pagamento?. Não por acaso, minhas músicas mais ouvidas dele também foram desse álbum: Pimpei seu estilo, Saudade do mar e aFF MARIA. Apesar disso, ainda estou devendo ir em um show dele de novo, ver se consigo fazer isso em 2026. Outro que estou devendo ir em um show é o padrim FBC, que lançou Assaltos e batidas este ano. Ao contrário dos outros, porém, só uma música do meu top 3 dele foi desse álbum (Cabana terminal), mas também destacaria A voz da revolução. A minha mais ouvida, porém, foi a minha favorita dele: Se eu não te cantar.
Por fim, no apagar das luzes do ano, outro que lançou álbum – e que não fui a um show – foi o Emicida. Ele foi responsável por quase me fazer chorar na academia enquanto ouvia a homenagem que ele fez para a mãe e que abre Emicida Racional VL 2 – Mesmas cores e mesmos valores. E, se é para destacar duas músicas desse álbum, colocaria Quanto vale o show memo? (que ainda brinca com uma música do Racionais) e Uns memo preto zica.
Mas esse ano foi especial porque consegui assistir a dois artistas que gosto muito pela primeira vez. Mais de uma década depois de começar a ouvir Fresno, tomei vergonha na cara e fui a um show deles aqui em BH. Foi exatamente tudo o que eu esperava e mais. Uma catarse com o álbum que eles lançaram ano passado (Eu nunca fui embora), que me deixou rouco por alguns dias. Lógico que as músicas mais ouvidas são dele, com destaque para Camadas, que é minha favorita, Eu nunca fui embora e Era pra sempre.
Um dia antes, porém, eu tinha chorado pela primeira vez quando o Djonga levou a mãe no palco. Era a primeira vez que eu via ele ao vivo e a apresentação do novo álbum (Quanto mais como, mais fome sinto!) foi surreal de boa. Como estava me preparando para o show, lógico que as minhas mais ouvidas foram desse álbum: Melhor que ontem, Fome e João e Maria.
Também seria o ano em que eu veria o Green Day pela primeira vez, mas o show foi cancelado e prefiro não tocar nesse assunto porque ainda é sensível.
Músicas mais ouvidas

Olhando meu ano de forma fria, dava pra prever que o Bad Bunny dominaria o top 10 de músicas mais ouvidas, mas confesso que assustei quando vi o resultado. Nove de dez canções de um único artista é coisa pra caralho. Se ampliar pro top 30, o álbum inteiro está presente. Isso é algo inédito desde que comecei a fazer esses rankings. Aliás, é algo inédito na minha vida. Nunca antes uma obsessão se mostrou tão evidente quanto essa – e tenho certeza de que só vai passar quando for pro show, em fevereiro.
O mais curioso é que o top 10 não reflete minha preferência pelas canções. NUEVAYoL tá ali em primeiro porque começa o álbum, então sempre dou play nela. Já DtMF mereceu estar no topo mesmo, é uma das minhas preferidas e o carro-chefe desse álbum. É a mesma coisa com BAILE INoLVIDABLE, que talvez seja a minha favorita, brigando de perto com PERFuMITO NUEVO e CAFé CON RON, que aparecem na 6ª e na 9ª colocações, respectivamente. Mas, vamos combinar, eu gosto do álbum como um todo e não tenho como reclamar de nada.
O único intruso nessa lista foi o meu artista mais ouvido do ano passado, em sua parceria maravilhosa com a Lady Gaga. Die with a smile conseguiu se tornar uma das minhas músicas favoritas dele e olha que essa disputa é muito difícil. E desbancar o Bad Bunny esse ano é um feito para poucos.
Álbuns mais ouvidos

Este talvez seja o top 10 mais coerente que vi ao longo de todos os anos fazendo essas listas de músicas mais ouvidas. Tem dois do Bad Bunny, o que é normal diante do tanto que ouvi ele esse ano, com DeBÍ TiRAR MáS FOToS sendo, disparado, o mais ouvido. Os lançamentos ou os álbuns mais recentes dos meus artistas mais ouvidos também estão ali: Don L, Djonga, Braza, João Gomes, FBC e Fresno. E tem um álbum extra do Braza, que sempre paro para ouvir.
Mas o mais importante é a consistência da trilha sonora de Hamilton na minha lista de mais ouvidos, novamente em 2º lugar. É meu vício mais antigo, admito, mas esse ano tem um motivo especial para ela estar ali: finalmente li a biografia do Alexander Hamilton. Foram alguns meses imerso na vida do cara e, claro, a trilha do musical me acompanhou em todo momento. Inclusive, o álbum segue como o mais tocado da história do meu Last.fm.
Anos anteriores
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- Músicas mais ouvidas em 2019
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Comecei a vida dentro de um laboratório de química, mas não encontrei muitas palavras dentro dos béqueres e erlenmeyers. Fui para o jornalismo em busca de histórias para contar. Elas surgem a cada dia, mas ainda não são minhas. Espero que um dia sejam.
