[CRÍTICA] Os Justiceiros – Richard Bachman

Ao terminar de ler “Os Justiceiros” eu fiquei com uma pergunta na cabeça: será que ele é realmente um livro bom como eu estou pensando?

Eu não gosto de escrever sobre um livro logo após terminar de ler, mas vou experimentar algo diferente aqui e organizar as minhas ideias ao longo do texto. Então vamos por partes, primeiro falando do autor.

Richard Bachman é o pseudônimo de Stephen King, criado para que King publicasse as obras que escreveu antes de Carrie e que nunca tinham sido aceitas pelas editoras. Além disso, o pseudônimo servia para ele publicar mais de uma obra por ano e para testar se seus livros eram bons mesmo ou só vendiam por causa do nome do autor. A “mentira” foi mantida até 1985, quando descobriram que Bachman e King eram a mesma pessoa.

Isso significa que o espírito do King está nessa obra e dá pra ver que ela tem muito do estilo do autor, tanto nos bons quanto nos maus aspectos. Para começar a pensar neles, vamos a uma pequena sinopse da história:

Tudo ia bem na rua Álamo, em Wentworth, Ohio, quando um furgão vermelho desce a rua e mata a tiros o menino que entregava jornal e o cachorro de uma das famílias do quarteirão. A partir de então todo mundo é um possível alvo e quem está por trás de tudo é um dos moradores da rua, ou melhor, algo que habita um desses moradores.

É muito difícil resumir o enredo sem contar muita coisa, mas é isso daí mesmo. Tudo começa na mais perfeita ordem, com crianças comprando chocolate na lojinha da esquina e Cary Ripton entrega os jornais. Um dia perfeitamente normal até a chegada do furgão vermelho, que assassina Cary e Hannibal, o Pastor Alemão da família Reed.

Não é esse Hannibal…

Isso tudo e a apresentação de todos os cerca de 25 personagens acontece nas primeiras 20 páginas. Já dá pra perceber o que isso causa no resto do livro, né? Muitos personagens sem um desenvolvimento forte de personalidade, além de trazer confusão pro leitor. Ainda bem que a edição traz um mapa da rua Álamo com o nome de quem mora em cada casa. Foi ele que eu recorria toda vez que tentava lembrar quem era quem e porque raios ele tava morrendo.

Sim, o outro ponto é que a carnificina rola solta durante o livro. Os personagens são pouco desenvolvidos e muitos deles simplesmente morrem, deixando parentes e amigos no total desespero. Enquanto isso é desenvolvida uma história paralela para contar porque essas pessoas estão morrendo e qual é a fonte de tanto pânico.

É nesse ponto que King comete outro deslize que compromete o livro. A causa de todos os problemas é uma criatura hiper-mega-blaster-fodona chamada Tak, que manipula a mente do autista Seth para criar as ilusões baseadas em desenhos infantis e matar todo mundo. O problema é que em nenhum momento é descrito o que raios Tak é, de onde veio e qual a motivação para tanto ódio contra pessoas normais. Aí é foda imergir naquilo se não há explicação nenhuma.

Ilustração do furgão vermelho imaginado/materializado por Tak/Seth 

Apesar destes problemas de narrativa e construção de personagens, Os Justiceiros tem um mérito muito grande: a tensão que permeia toda a história. Como eu disse, a primeira morte acontece em menos de 20 páginas e, com ela, o clima entre os moradores começa a pesar. Ninguém sabe o que está acontecendo e todo mundo espera ser o próximo cadáver.

A maneira que King conduz a história faz com que tudo se torne mais tenso. A narrativa é permeada por dois momentos: a luta pela sobrevivência e a história da possessão de Tak. Recursos como diários e cartas permeiam a história, voltam no tempo e te deixam mais tenso ainda para saber o desenrolar dos dois momentos.

Eu fiquei muito tenso depois de ler o livro. Em algumas partes eu soltei um “puta que pariu, não é possível”, conversando sozinho. Por mais que eu tenha curtido esse clima tenso, as partes críticas existem e é bom reforçar cada uma delas. Vale a leitura, mas espere um banho de sangue e algumas não-explicações.

Os Justiceiros
Richard Bachman
Objetiva, 2001
239 páginas

P.S.1: Os Justiceiros é o livro gêmeo de Desespero, este lançado sob o nome do próprio King. Eu ainda não li Desespero, mas pelo que vi na net os dois usam os mesmos personagens, mas desenvolvidos em realidades paralelas, que uma não tem a ver com a outra. De acordo com o que eu li, em Desespero a história de Tak é melhor explorada. Além disso as capas dos dois se completam. Olhem só as que eu achei por aí:

Achei todas muito doidas

P.S.2: Queria compartilhar com todos que atingi a marca de 49 livros em 2011. Não resta mais nenhum livro não lido na minha lista de compras desse ano, então vou entrar o ano zerado. Se quer ver o que eu li esse ano ou o que eu estou lendo é só dar uma olhada no meu Skoob. Aceito presentes em 2012!

P.S.3: Se eu tiver um cachorro vou chamar ele de Hannibal.