[CRÍTICA] Turma da Mônica: Laços – Vitor e Lu Cafaggi

A segunda graphic novel lançada pela Mauricio de Sousa Produções tem a assinatura dos mineiros e irmãos Vitor e Lu Cafaggi. Do Vitor você ouviu falar aqui no blog, com os livros do Valente (para sempre e para todas) e Duo.tone. Já da Lu eu nunca falei e conheço bem pouco o trabalho dela. Mas graças ao que ela fez com a turminha e às entrevistas que li/ouvi, posso dizer que ela devia produzir sempre mais.

Linda desde a capa

Calma, não atropelemos as coisas. Vamos primeiro falar sobre a história de Laços. Inspirada pelos clássicos filmes oitentistas, tudo gira em cima de uma premissa bem simples: O Floquinho desapareceu e a turminha precisa ajudar o Cebolinha a encontrá-lo. A graça não está na descoberta do mistério em si, mas sim na procura, na aventura, no companheirismo e na cumplicidade entre os amigos, coisa muito presente em filmes como Goonies e Conta Comigo, por exemplo.

Este último, aliás, é um dos filmes que eu mais gosto e que preciso ver pelo menos uma vez por ano para ser uma pessoa feliz. O conto que o inspirou, presente no livro As quatro estações, de Stephen King, também possui o fator delicinha que me faz querer lê-lo sempre. Não é a toa que percebi muitas referências a ele na graphic novel dos irmãos Cafaggi. Eles sentados em volta da fogueira contando histórias, discussões sobre assuntos bestas (“Quem venceria uma corrida, o Super Homem ou o Flash?”), a turminha invadindo um depósito de lixo com grade alta. Tudo isso está no filme, mas não é só dele que os irmãos buscam referências.

A história do Bola de sebo, só que (bem) melhorada 

Durante o livro, são vários os momentos em que a aventura e a perseguição prevalecem. Valentões que enfrentam os mais fracos (não leve a Mônica em consideração), personagens mais velhos e misteriosos que servem como guia, inúmeras pistas espalhadas. Tudo isso, que é bem típico dos filmes dos anos 80, está presente. Com certeza eu não consegui pegar todos os detalhes – que são muitos -, mas alguém mais atento pode observar várias pequenas homenagens durante as páginas (há uma referência bem clara a Warriors também, além de muitas outras ocultas).

E não só os anos 80 são utilizados. O carinho com que Vitor e Lu tratam os personagens criados pelo Maurício transborda pelas páginas. São detalhes e mais detalhes que mostram como eles conhecem aquele universo e como têm liberdade para brincar com ele, a ponto até de mexerem com alguns pontos clássicos. As explicações de porque alguns não usam sapatos e de porque eles não envelhecem é simples e condizente. Os outros personagens, mesmo que aparecendo como coadjuvantes de luxo (com direito até a uma ponta pro seu Juca, lembram dele?), estão tão bem caracterizados nas poucas falas que abrimos um sorriso só de vê-los ali.

Olha ele aí =]

Fora isso, Mônica, Magali, Cascão e Cebolinha são tão bem utilizados que é lindo de se ver. O equilíbrio entre eles é presente nas páginas e, com isso, não há um personagem principal. Todos têm o seu momento e é legal ver que até mesmo o cuidado com o número de aparições dos personagens nos quadros foi observado. Assim como na versão original, a Magali e o Cascão continuam sendo meus personagens favoritos. É a Magali que mais me faz rir e o Cascão aquele que tem tudo que aprecio em um bom amigo. Tem uma página, em especial, que é uma homenagem a tudo que o Cascão representa, com ele brincando com sombras e se divertindo enquanto todos os outros dormem.

Cascão sendo o Cascão que todos amamos

Aliás, já falei de muita coisa sobre roteiro e ainda não comentei o quão maravilhosa é a arte feita pelos irmãos Cafaggi. Os personagens ganharam uma roupagem nova, mas continuam clássicos. Os cenários e o figurino dos coadjuvantes é muito bem trabalho, remetendo à década de 80 com perfeição. A preocupação com as cores é tão nítida que, para mostrar a passagem do dia, são colocados os horários no canto superior e a iluminação do quadro vai mudando gradualmente. Fora a palheta de cores mais voltada para os tons pastéis que o Vitor emprega em suas obras e que eu acho fodarástica.

E o que falar da arte da Lu Cafaggi para a época deles como bebês? Os tons utilizados, os traços. Tudo é de uma beleza e delicadeza tão absurdas que é impossível não admirar. São detalhes que vão te deixar embasbacado, como o cabelo do Cascão, por exemplo. Isso sem falar no flashback envolvendo o próprio Maurício de Sousa, que é a homenagem que eu acho que todos nós gostaríamos de fazer a ele.

Palmas lentas para a Lu. Lindo, lindo, lindo!

No fim, são apenas aquelas pessoinhas que conhecemos tão bem e aprendemos a amar, mas em uma roupagem muito mais bonita e profunda do que estamos acostumados. Uma obra de arte em forma de quadrinhos.

Turma da Mônica: Laços
Vitor e Lu Cafaggi
Panini Comics, 2013
82 páginas

P.S.: Alô Sidney Gusman, Vitor e Lu, quero várias artes dessas como posteres no meu quarto. Quando a MSP vai começar a vender? #esperança

P.S. 2: O Vitor levou pelo menos um Troféu HQ Mix nos dois últimos anos. Ano que vem tem de novo, tenho certeza!