[CRÍTICA] Turma da Mônica: Laços – Vitor e Lu Cafaggi

Turma da Mônica: Laços

Vitor e Lu Cafaggi
Publicado em 2013
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A segunda graphic novel lançada pela Mauricio de Sousa Produções tem a assinatura dos mineiros e irmãos Vitor e Lu Cafaggi. Do Vitor você ouviu falar aqui no blog, com os livros do Valente (para sempre e para todas) e Duo.tone. Já da Lu nunca falei e conheço bem pouco o trabalho. Mas graças ao que ela fez com a turminha e às entrevistas que li/ouvi, posso dizer que ela devia produzir sempre mais.

Calma, não atropelemos as coisas. Vamos primeiro falar sobre a história de Laços. Inspirada pelos clássicos filmes oitentistas, tudo gira em cima de uma premissa bem simples: o Floquinho desapareceu e a turminha precisa ajudar o Cebolinha a encontrá-lo. A graça não está na descoberta do mistério em si, mas sim na procura, na aventura, no companheirismo e na cumplicidade entre os amigos, coisa muito presente em filmes como Os Goonies e Conta Comigo, por exemplo.

Este último, aliás, é um dos filmes que mais gosto e que preciso ver pelo menos uma vez por ano para ser feliz. O conto que o inspirou, presente no livro As quatro estações, de Stephen King, também possui o fator delicinha que me faz querer lê-lo sempre. Não é a toa que percebi muitas referências a ele na graphic novel dos irmãos Cafaggi. Eles sentados em volta da fogueira contando histórias, discussões sobre assuntos bestas (“Quem venceria uma corrida, o Super Homem ou o Flash?”), a turminha invadindo um depósito de lixo com grade alta. Tudo isso está no filme, mas não é só dele que os irmãos buscam referências.

Cena de Turma da Mônica Laços, com a mônica olhando para uma fogueira e começando a contar uma história.

Durante o livro, são vários momentos em que a aventura e a perseguição prevalecem. Valentões que enfrentam os mais fracos (não leve a Mônica em consideração), personagens mais velhos e misteriosos que servem como guia, inúmeras pistas espalhadas. Tudo isso, que é bem típico dos filmes dos anos 80, está presente. Com certeza eu não consegui pegar todos os detalhes – que são muitos –, mas alguém mais atento pode observar várias pequenas homenagens durante as páginas (há uma referência bem clara a The Warriors também, além de muitas outras ocultas).

E não só os anos 80 são utilizados. O carinho com que Vitor e Lu tratam os personagens criados pelo Maurício transborda pelas páginas. São detalhes e mais detalhes que mostram como eles conhecem aquele universo e como têm liberdade para brincar, a ponto até de mexerem com algumas questões clássicas. As explicações de porque alguns não usam sapatos e de porque eles não envelhecem é simples e condizente. Os outros personagens, mesmo que aparecendo como coadjuvantes de luxo (com direito até a uma ponta pro seu Juca, lembram dele?), estão tão bem caracterizados nas poucas falas que abrimos um sorriso só de vê-los ali.

Cena de Turma da Mônica: Laços com a Magali comendo um cachorro quente na barraquinha do Seu Juca.

Fora isso, Mônica, Magali, Cascão e Cebolinha são tão bem utilizados que é lindo de se ver. O equilíbrio entre eles é presente nas páginas e, com isso, não há um personagem principal. Todos têm o seu momento e é legal ver que até mesmo o cuidado com o número de aparições dos personagens nos quadros foi observado. Assim como na versão original, a Magali e o Cascão continuam sendo meus personagens favoritos. É a Magali que mais me faz rir e o Cascão aquele que tem tudo que aprecio em um bom amigo. Tem uma página, em especial, que é uma homenagem a tudo que o Cascão representa, com ele brincando com sombras e se divertindo enquanto todos os outros dormem.

Cena do Cascão brincando com as próprias sombras em frente a uma fogueira enquanto os outros dormem.

Aliás, já falei de muita coisa sobre roteiro e ainda não comentei o quão maravilhosa é a arte feita pelos irmãos Cafaggi. Os personagens ganharam uma roupagem nova, mas continuam clássicos. Os cenários e o figurino dos coadjuvantes é muito bem trabalho, remetendo à década de 80 com perfeição. A preocupação com as cores é tão nítida que, para mostrar a passagem do dia, são colocados os horários no canto superior e a iluminação do quadro vai mudando gradualmente. Fora a palheta de cores mais voltada para os tons pastéis que o Vitor emprega em suas obras e que acho fodarástica.

E o que falar da arte da Lu Cafaggi para a época deles como bebês? Os tons utilizados, os traços. Tudo é de uma beleza e delicadeza tão absurdas que é impossível não admirar. São detalhes que vão te deixar embasbacado, como o cabelo do Cascão, por exemplo. Isso sem falar no flashback envolvendo o próprio Maurício de Sousa, que é a homenagem que todos nós gostaríamos de fazer a ele.

Flashback da infância deles, desenhado pela Lu Cafaggi e apresentando o Floquinho pela primeira vez.

No fim, são apenas aquelas pessoinhas que conhecemos tão bem e aprendemos a amar, mas em uma roupagem muito mais bonita e profunda do que estamos acostumados. Uma obra de arte em forma de quadrinhos.

Turma da Mônica: Laços
Vitor e Lu Cafaggi
Panini Comics, 2013
82 páginas

P.S.: Alô Sidney Gusman, Vitor e Lu, quero várias artes dessas como posteres no meu quarto. Quando a MSP vai começar a vender? #esperança

P.S. 2: O Vitor levou pelo menos um Troféu HQ Mix nos dois últimos anos. Ano que vem tem de novo, tenho certeza!

Deixa ele aí escrevendo as coisinhas dele. Dizem por aí que é jornalista, mas ele só quer compromisso com a bobajada na internet.
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