[CRÍTICA] A vida sexual da mulher feia – Cláudia Tajes

Ler A vida sexual da mulher
feia
em um ônibus lotado de mulheres é uma experiência tão única quanto ler
uma Playboy nas mesmas condições.
Eu explico. Os dois casos vão
atrair a atenção de quem sentar do seu lado. É meio que inevitável. Quando eu
inventei de ler a entrevista da Sandy na Playboy de agosto, a mulher do meu
lado me olhava com uma cara que variava de curiosidade a nojo. Eu não consegui
distinguir muito bem…
Com A vida sexual da mulher
feia
foi parecido. Quando eu comecei a ler, de manhã, eu quase apanhei de
uma mulher genuinamente feia que sentou do meu lado. Na volta e já terminando o
livro, uma menina de uma escola estadual sentou do meu lado e duas amigas delas
ficaram em pé. As três passaram o caminho inteiro comentando sobre o livro, sobre
mim e chegaram até a anotar o nome da autora. Elas pensaram que só porque eu
estava com fone de ouvido eu não ouviria… ledo engano.
Enfim, foi uma experiência única
ler esse livro em público.
Essa capa tem poder…
O principal fator a chamar a
atenção é o título, que é altamente instigante. Eu tenho que admitir que foi
por causa dele que eu comprei o livro. A primeira vista pode parecer auto-ajuda
ou mesmo dicas de “como lidar com a sua feiúra”, mas não é nada disso. E é por
isso que o livro é tão eficiente.
Ok, essa foi a crítica que eu
mais enrolei antes de falar do livro propriamente dito, então vamos lá. Tudo
gira em torno da história contada em primeira pessoa por Jucianara que, como
todos já podem imaginar, é uma mulher gorda, com a pele, o cabelo, a boca e as
pernas destruídas, peitos caídos e cara cheia de espinhas. Isso não sou eu quem
fala, mas sim a própria Ju.
É por causa desse fato que o
livro não rompe a barreira do ridículo e passa a ser engraçado. É uma feia
contando todas as suas experiências com os homens, rindo das próprias desgraças
e falando dos seus problemas. Ele é formulado como se fosse uma tese, com os conceitos
teóricos que guiarão o trabalho (“o nome”, “a criação” e “a psique”); uma
introdução com as primeiras experiências (primeiro amor, primeiro beijo e
primeira transa); o desenvolvimento da tese, ou os homens com que ela se
relacionou; e a conclusão.
Imagem meramente ilustrativa e definitivamente nada a ver com o livro
E não tem porque não gostar da
protagonista, que narra com tanto bom humor os seus casos. Todos eles são trágicos,
nada dá certo na vida de Ju, mas ela consegue contar os problemas sem se
importar muito com isso, como uma feia bem resolvida (se é que isso existe ou
se eu acabei de inventar).
É uma leitura rápida, de
linguagem bem coloquial que faz com que você nem perceba as páginas faltando. Um
ótimo livro para ler e se divertir, sem esperar muito mais que isso.
Aliás, não posso terminar o texto
sem falar do final anticlimático do livro. Sem dar spoilers, o que eu posso falar
é que o tom humorado do livro acaba caindo para um “todos têm problemas” que me
deu uma certa preguiça. Podia ter terminado lá em cima, mas caiu no final. Mas
nada que estrague a diversão!