Rapazes, atenção! Estamos prestes a embarcar para a batalha que pode marcar o fim dessa maldita guerra. Já passamos por muita coisa juntos. Perdemos muitos bons soldados neste caminho. Bons homens, bons amigos. Vocês, mais do que ninguém, querem que esse inferno acabe. Agora só depende de vocês!

Já conhecem o plano. Precisamos proteger a cidade contra o avanço dos inimigos, custe o que custar. Mandaram nosso batalhão para o front porque sabem que somos os melhores dentre os melhores. Todas as batalhas que já vencemos, desde as mais banais às heroicas, nos credenciaram para isso. Vocês são os únicos capazes de controlar esta situação sem muitas perdas. Eles confiam em vocês, rapazes.

E eu também confio. Daria a minha vida em troca da de qualquer um de vocês. Vocês são mais do que meus soldados, são minha família. Esta não é a primeira e provavelmente não será a última batalha que enfrentaremos juntos, mas quero que se preparem psicologicamente para o pior. Vamos enfrentar falta de comida, de medicamentos, de água. E passaremos frio, muito frio.

Sei que, em alguns momentos, vocês acreditarão que será impossível sobreviver. Que os inimigos serão mais fortes do que nós. Que sucumbiremos diante das dificuldades. Não acreditem nisso. Bloqueiem os próprios medos. Nós somos mais fortes do que isso, vocês sabem. Aguentaremos tudo o que vier. Juntos.

Lembram-se da batalha que tivemos na Holanda? E a o ataque surpresa na Áustria? Contra todas as expectativas, saímos de lá vitoriosos. Quero que se lembrem disso, pois estaremos em outra situação de vida ou morte. Morte, a propósito, que estará à espreita a cada pequeno descuido, a cada mínima falha. Não se esqueçam do plano, sigam minhas ordens. Trarei todos de volta a salvo ou morrerei tentando.

É isso. Fiquem alertas, preparem os paraquedas e, quando chegarem lá, vão direto para o ponto de encontro marcado no mapa. Só depende de vocês, rapazes. Vocês são os melhores entre os melhores. Voltem vivos!

Antes de embarcar no avião, cada um dos soldados trocou um último cumprimento com o capitão. Era por ele, mais do que pela pátria, que eles lutavam. A pátria não havia dado nada em troca do sacrifício que eles faziam em suas vidas. Já o capitão estava lá, ao lado deles nos piores momentos, nas crises, nas perdas, nas vitórias e nos momentos de descontração.

A sua maneira, cada soldado tentou mostrar o quanto admirava aquele homem. Podia ser a última oportunidade que teriam de fazer isso e não queriam desperdiçá-la.

Seguiriam os passos daquele sujeito até o fim. Caminhariam ao lado dele até que não mais pudessem respirar.

 

Para ler ouvindo: Ana – Rafael Fontana

Esta crônica faz parte do Music Experience