Vão tentar derrubar, que é pra me ver crescer
E às vezes me matar, que é pra eu renascer
Fresno – Eu sou a maré viva

No planejamento inicial dos posts para o final de ano, não pretendia escrever a redenção de 2017. O ano inteiro foi uma espécie de redenção, então não faria sentido buscar algo bom para escrever. Como falei no exorcismo, estou esperançoso. Não é da boca para fora, juro. Realmente acredito que posso fazer de 2018 o meu melhor ano nessa década. As ferramentas estão todas em minha mão, basta saber usá-las com sabedoria.

Então para que esse texto de redenção? Para celebrar as coisas bacanas que ocorreram ao longo do ano, lógico. Como passo o tempo inteiro reclamando do que deu errado, alguma hora preciso parar e comemorar o que deu certo. E esse ano muita coisa deu certo, apesar de tudo indicar que não daria. Queria começar naquele campo que tudo tem andado bem: o trabalho.

Não fiquei sem trabalhar um dia em 2017 e isso é algo muito positivo quando pensamos em um mercado de comunicação em crise e um jornalismo cada vez mais limitado. Fiz o melhor que pude em todos os lugares que passei. Fiz viagens, cobri eventos e escrevi as pautas mais chatas do mundo. Mas também aprendi bastante. Sigo aprendendo, inclusive. Nem uma demissão no meio do ano foi capaz de estragar o bom humor, já que, no fim, deu tudo certo. Para 2018, estou com um desafio imenso nas mãos e meu único objetivo é não fuder tudo. Continuar fazendo meu melhor e esperar que dê tudo certo. É só isso que peço.

Por falar em trabalho, comecei a fazer terapia. As duas coisas estão interligadas porque meu maior problema é com a ansiedade e descarrego grande parte dela no meu lado profissional. Os últimos três meses têm sido de constante questionamento e, por mais que eu dê trabalho para minha terapeuta e não me abra muito, tenho pensado demais na forma como me porto e o que preciso fazer para melhorar. Ainda não cheguei a uma conclusão, mas quem chegou, não é mesmo? O importante é que pela primeira vez estou efetivamente procurando respostas. Isso conta demais para quem já chegou ao fundo do poço como cheguei e buscou forças para sair de lá sozinho.

Também conheci muita gente boa. No meu antigo emprego, tive a oportunidade de estar na companhia de pessoas incríveis que, aos poucos, foram se mostrando mais do que bons profissionais, mas verdadeiros amigos com que mantenho contato até hoje. Na internet, várias novas pessoas maravilhosas chegaram para minha bolha particular do Twitter e agora considero todas elas partes do meu dia a dia. Sem falar que tive a oportunidade de viajar algumas vezes esse ano, sempre com o objetivo de encontrar meus amigos espalhados por todo o país. Foi incrível e quero repetir a dose ano que vem.

Outra coisa que me dá esperanças é esse blog e meu canal no YouTube. Estou com gana de voltar a produzir, de colocar mais palavras na tela e lançar obras de ficção maiores. Alguns projetos já estão engatilhados, outros ainda no forno para tomar forma. O importante é que vou trabalhar para tudo dar certo. Não tem tempo? Foda-se o tempo, vamos criar mais algumas horas só para dar conta de tudo e, quem sabe, viver desse sonho louco no futuro. Se for preciso arriscar, estou disposto a isso.

Ou seja, estou com esperanças para 2018. Isso é perigoso, pois posso me machucar se algo der muito errado. Mas, que saber? Foda-se. Quero tentar e isso é o bastante. Hoje é dia de dar um mergulho no mar e me deixar levar pelas ondas. Amanhã começa o trabalho duro.

*Como no exorcismo, não vou revisar ou editar esse texto. O objetivo é ser um desabafo, não uma aula de literatura ou gramatical.

Comecei a vida dentro de um laboratório de química, mas não encontrei muitas palavras dentro dos béqueres e erlenmeyers. Fui para o jornalismo em busca de histórias para contar. Elas surgem a cada dia, mas ainda não são minhas. Espero que um dia sejam.