Pelo oitavo ano consecutivo, vou começar a publicar as listas de melhores do ano aqui do blog. E como manda a tradição, o primeiro dia é dedicado aos melhores filmes que assisti em 2017.

A regra é bem simples: entram aqueles que vi esse ano e me marcaram de alguma forma. Ou seja, é completamente subjetivo e não leva em consideração quando foi lançado. Até porque este ano o número de filmes assistidos foi bem baixo. No momento que fechei essa lista, contabilizei 37 longas, bem abaixo dos quase 80 que consegui em 2016.

Enfim, confira quem foram os vencedores nos anos passados:

  • 2010: Empate entre Toy Story 3 e Onde vivem os monstros
  • 2011: ABC do amor
  • 2012: O ano que meus pais saíram de férias
  • 2013: 3º: As vantagens de ser invisível / 2º: Trilogia “Before…” / 1º: Princesa Mononoke
  • 2014: 3º: O gigante de ferro / 2º: Taxi Driver / 1º: Réquiem para um sonho
  • 2015: 3º: Whiplash / 2º: Ela / 1º: Divertida Mente
  • 2016: 3º: Janela indiscreta e Festim diabólico / 2º: Todos os homens do presidente / 1º: 12 homens e uma sentença

2017
Este foi o primeiro ano em que consegui assistir a todos os indicados do Oscar antes da premiação. Manchester à beira mar, A qualquer custo, Moonlight, Até o último homem, Um limite entre nós, Estrelas além do tempo, Lion e La la land são todos ótimos – alguns mais que os outros, lógico -, mas não conseguiram o tão sonhado lugar no pódio. E falando em Oscar, Moana também merece destaque, mostrando que a Disney não deu uma bola fora em suas animações nos anos 2010 e me fazendo cantarolar as musiquinhas até hoje.

Outro ponto alto foi quando surtei e decidi assistir a um monte de filmes adolescentes produzidos nessa década. Todos foram gratas surpresas e deixaram claro que o gênero está bem vivo, com obras muito bacanas. O verão da minha vida é perfeito para quem se sentiu rebaixado a vida inteira. El club de los incomprendidos recorta uma fase da vida em que todos procuramos aceitação. Jovens, loucos e mais rebeldes é a continuação que Jovens, loucos e rebeldes merecia, mesmo não sendo tão incrível quanto o primeiro. E Sing Street esteve com um pé no pódio por criar uma história incrível, com músicas maravilhosas que ouço até hoje.

Quem também esteve bem próximo do pódio foi mãe!, dirigido pelo Darren Aronofsky. O último filme que tinha me deixado tão mal foi Whiplash e é bom sentir isso de novo, mesmo com toda a confusão que ele deixa em nossa cabeça. Quem também me fez sair do cinema com um sorriso de canto a canto foi Dunkirk, que traz uma baita história de guerra contada com a frieza do Nolan. Mas a grande surpresa do ano foi It. Minha expectativa estava nas alturas e o filme correspondeu, com muito humor e a amizade que são o que fazem o livro do King ser tão incrível.

No campo dos clássicos, reassisti os incríveis Gatinhas e Gatões e Rocky Horror Picture Show. Também embarquei nas loucuras do Monty Python: o sentido da vida, o primeiro longa deles que assisti na vida. Little shop of horror foi uma gostosa (e surreal) aventura musical. Farrapo humano me ganhou pelo drama e a forma como aborda o vício. Mas quem quase chegou ao pódio foi Nosso amor de ontem, um romance de 1973 que foge de qualquer clichê na hora de construir sua trama.

Dito isso, vamos à lista de 2017.

3º lugar
De todos os filmes que assisti para o Oscar, o que mais me impactou foi um filme sobre linguagem. Ou seria um filme sobre escolhas? Ou melhor, sobre o destino? É muito difícil falar sobre A chegada sem entrar demais na história. E, nesse caso, falar demais vai te tirar aquele estranhamento inicial. O desconforto que você sente por não entender o que está acontecendo ali. Toda a magia do filme.

Com um final corajoso e que gera inúmeras discussões, já considero A chegada como a melhor ficção científica desses anos 2010 e, por que não, cobiçar um lugar entre as melhores de todos os tempos.

2º lugar
Estou cansado de filmes de super-herói. Há alguns anos não me dou nem mais ao trabalho de assistir, só vejo o que as pessoas estão falando. Todos me parecem sempre muito iguais. Com uma fórmula que, quando escapa dos padrões, falha miseravelmente. Exceto em Logan. Logan é maravilhoso.

O motivo dele funcionar é simples: não é um filme de super herói. É um western que, por acaso, os personagens têm super poderes. E as atuações estão maravilhosas. O Hugh Jackman se entrega inteiro para fazer uma despedida memorável para o personagem que carregou por tantos anos. O Patrick Stewart também está maravilhoso e eu não ficaria surpreso se arrancasse uma indicação para melhor ator coadjuvante no Oscar (já começo a fazer minha campanha). Enfim, Logan é um filmaço, que foge da mesmice que os heróis se tornaram hoje. Merece demais esse meu segundo lugar.

1º lugar
Na minha cabeça, nunca houve dúvidas sobre quem colocar na primeira posição. Quando assisti Baby Driver, saí do cinema e imediatamente procurei a trilha no Spotify. Fui dançando até o ponto de ônibus. Literalmente. Tudo dentro do ritmo. Ou pelo menos tentando.

O roteiro simples é compensado com uma direção fodarástica. O Edgar Wright conseguiu fazer algo tão incrível com o ritmo da história que, logo nas primeira cenas, eu já estava com um sorriso no rosto que não consegui tirar em momento algum. Todos os conflitos envolvendo o Baby, a forma como a trilha casa com o que está em tela, as fugas alucinadas de carro. Tudo é maravilhoso. Foi uma massagem erótica nos ouvidos e nos olhos. Foi o melhor filme que assisti em 2017.

Todos os filmes assistidos

  • 28/01: Captain Fantatisc (Capitão Fantástico/2016)
  • 04/02: Arrival (A chegada/2016)
  • 04/02: Manchester by the sea (Manchester à beira-mar/2016)
  • 04/02: Hell or high water (A qualquer custo/2016)
  • 05/02: Moonlight (Moonlight: sob a luz do luar/2016)
  • 18/02: Hacksaw Ridge (Até o último homem/2016)
  • 18/02: Fences (Um limite entre nós/2016)
  • 18/02: Hidden Figures (Estrelas além do tempo/2016)
  • 19/02: Lion (Lion: uma jornada para casa/2016)
  • 19/02: La la land (La la land: cantando estações
  • 22/02: Florence Foster Jenkins (Florence: Quem é essa mulher?/2016)
  • 27/02: Kubo and the two strings (Kubo e as cordas mágicas/2016)
  • 27/02: Jackie (2016)
  • 28/02: Moana (Moana: um mar de aventuras/2016)
  • 01/03: Loving (2016)
  • 11/03: The way way back (O verão da minha vida/2013)
  • 12/03: Sing Street (Sing Street: música e sonho/2016)
  • 18/03: The meaning of life (Monty Python: o sentido da vida/1983)
  • 18/03: Sixteen candles (Gatinhas e gatões/1984)
  • 19/03: El club de los incomprendidos (2014)
  • 08/04: Rocky horror picture show (1975)
  • 14/04: Dazed and confused (Jovens, loucos e rebeldes/1993)
  • 14/04: Everybody wants some (Jovens, loucos e mais rebeldes/2016)
  • 14/04: Little shop of horror (A pequena loja dos horrores/1986)
  • 13/05: The magnificent seven (Sete homens e um destino/2016)
  • 25/07: Obvious child (Entre risos e lágrimas/2014)
  • 26/07: The book thief (A menina que roubava livros/2013)
  • 26/07: Nosso amor de ontem (The way we were/1973)
  • 29/07: The lost weekend (Farrapo humano/1945)
  • 29/07: The great Budapest Hotel (O grande Hotel Budapeste/2014)
  • 03/08: Dunkirk (2017)
  • 08/08: Baby Driver (Em ritmo de fuga/2017)
  • 24/08: The dark tower (A torre negra/2017)
  • 07/09: Logan (2017)
  • 13/09: It (It: a coisa/2017)
  • 13/10: mother! (mãe!/2017)
  • 25/11: Blue Valentine (Namorados para sempre/2010)

Comecei a vida dentro de um laboratório de química, mas não encontrei muitas palavras dentro dos béqueres e erlenmeyers. Fui para o jornalismo em busca de histórias para contar. Elas surgem a cada dia, mas ainda não são minhas. Espero que um dia sejam.

  • Marcus Vinicius Lima Martins

    Branco branco branco e mais branco

    • É, cara. Infelizmente nenhum filme protagonizado por negros que assisti esse ano foi tão bom quanto esses três. Pelo menos na minha opinião.