Tem três dias que estou com uma dor de cabeça infernal. Se olho para o lado, dói. Se pisco, dói. Se penso, dói. Não consigo sair do poleiro. Já passou da fase de dor de cabeça e virou uma enxaqueca das mais violentas.

Tem coisa pior que dor de cabeça? Já me entupi de remédios para ver se resolve, mas até agora nada. Três dias e NADA. Tô me sentindo até drogado depois de tanta coisa que tomei. Sabe aquela história de não se automedicar? Pois é, Não façam isso. Além de não resolver nada, fiquei completamente idiota. Dormi nas últimas 15 horas seguidas. Isso destruiu meu corpo, sabe. Minhas asas foram colocadas dentro de um liquidificador e eu só estou sentido agora. Tô sentindo dor até nas penas. E eu nem sabia que essa porra era possível!

Por falar em pena, elas começaram a cair. Não sei se é por causa do repouso forçado ou por causa do inverno. Isso tá me deixando bem nervoso. Quanto mais nervoso, mais minha cabeça dói. Quanto mais minha cabeça dói, mais as penas caem. É involuntário. Olho para o espelho e vejo minhas penas ficando cada vez mais ralas.

Isso machuca o ego, sabe. Tudo bem que sou o frango garanhão reprodutor dessa granja, mas não dá pra negar que minha atuação está deixando a desejar. Imagina sair do poleiro no estado em que estou? Penas falhadas, cabeça explodindo e um mau humor dos infernos. Assim eu não vou conseguir uma galinha jamais.

Sei lá, nessa situação que estou, não consigo nem pensar em galinhas. Pensar me dá dor de cabeça. Se eu começar a pensar, minha imaginação começa a funcionar. E imaginar coisas também dói. Dói pra caralho.

Agora que a gripe suína saiu de moda, acho que contraí um tipo novo de doença. Incomum, incurável, injustificada e insuportável. Tomara que ela seja contagiosa. Muito contagiosa. Afinal, sofrer sozinho não tem graça nenhuma.

Pensando bem, vou voltar para o poleiro e descansar. Espero só não fazer companhia pro Michael Jackson no meio do caminho.

Vou desativar meu antigo blog, o “Memórias de um frango”. Para isso, vou resgatar as crônicas que estavam postadas lá, dar uma repaginada e trazer para cá. Não me lembro exatamente de quando escrevi este texto, mas eu devia estar com uma dor de cabeça dos infernos. Também foi mais ou menos na época da morte do Michael Jackson, caso contrário a piadinha do final não faria sentido nenhum. Pelo menos espero que tenha sido isso mesmo.