“E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste”
Sutilmente – Skank

Me lembro que era uma sexta-feira quando as primeiras dores no peito vieram. “Vai passar”, pensei.

Não passou.

Como na segunda-feira ainda doía, decidi ver um médico. Certeza que era algum problema respiratório. Meu pulmão sempre foi zicado e o peito doía toda vez que eu respirava. Era o lógico. Exames preliminares e raio-x feitos, a médica deixou os documentos de lado e olhou para mim. “Como vai a vida? Está tudo tranquilo?”. Fiquei sem entender a pergunta, mas ela explicou que aquela era uma dor causada por ansiedade. Alguma coisa estava errada com a minha vida.

Isso aconteceu em meados de agosto, depois de oito meses tentando atingir resultados muito além das minhas capacidades. Todo dia olhava para uma planilha de metas e um alarme disparava, me alertando que eu não sabia como reverter a situação. Era a prova máxima de que eu era uma fraude. O maior desafio que já enfrentei até hoje e não estava preparado para ele. Isso me consumiu.

Depois que senti a dor no peito, tudo foi ladeira abaixo. A ansiedade só aumentou, a pressão também. Até culminar em setembro, quando descobri que as metas sairiam da minha vida. Era o fim. E por mais que viesse me preparando para ele há semanas, o baque foi forte quando aconteceu. Comecei a vislumbrar o poço de novo.

Você sabe de que poço estou falando. Aquele que todo mundo vislumbra vez ou outra quando a situação está ruim. Aquele que as pessoas chegam ao fundo. Aquele em que me atolei nas temporadas 2011/2012.

No exorcismo de 2014, disse que estava sentado no alto, analisando o campo de oportunidades que se abria na minha frente. Hoje tenho a sensação de que voltei pra dentro dele e falta só um pequeno empurrão para que o balde me jogue para o fundo de novo. Não quero isso. Me recuso a estar lá mais uma vez.

Se tem uma coisa que não está sendo fácil é aguentar esses últimos meses trabalhando em casa. Não recebo resposta de nenhum lugar que entro em contato. Tenho me isolado no meu quarto e ficado arredio. Meus contatos se resumem a meus sobrinhos e minha mãe. Em breve posso entrar em colapso e nem perceber.

O pior é que o ano chega ao fim e tô me sentindo um bosta. Não tem palavra mais leve pra descrever minha situação atual e não quero amenizar nada. Estou me sentindo um bosta. A síndrome de impostor nunca esteve tão presente e, por mais que tente me livrar dela, não consigo.

Para completar, não estou encontrando forças para escrever. As palavras até saem, mas tudo que coloco no papel tendo a achar que está ruim. Escrevi pouquíssimo nos últimos meses (por lazer, já que pelo trabalho escrevi bastante) e quem me conhece sabe que isso sempre foi minha válvula de escape. Não escrever também tem me deixado bem mal.

No fim, tudo que eu queria era terminar o ano de outra forma. Poder assistir aos fogos da virada com uma faísca de esperança no coração e com a certeza de que tudo vai dar certo em 2016. Não vou conseguir. O que me resta é tentar voltar ao normal. Não vai ser um caminho fácil, mas pelo menos sei o que preciso fazer. Já passei por isso antes. Já consegui sair uma vez.

Se pudesse desejar só uma coisa para 2016 seria não ter que passar por todos os problemas de novo. Vou trabalhar para isso, juro. E se por acaso parecer que preciso de um abraço de vez em quando, não hesite em me dar um. Não sou muito bom com essas coisas de falar sobre emoções, então me ajudem a não cair de novo.

*Este é um desabafo, portanto não revisei e nem pretendo. Por favor, relevem possíveis erros porque é um exorcismo, só queria que saísse rápido de mim.

Comecei a vida dentro de um laboratório de química, mas não encontrei muitas palavras dentro dos béqueres e erlenmeyers. Fui para o jornalismo em busca de histórias para contar. Elas surgem a cada dia, mas ainda não são minhas. Espero que um dia sejam.