Há momentos, porém, em que é preciso respirar fundo seja qual for for o metabolismo que se tenha
O restaurante no fim do universo – Douglas Adams

Queria pedir desculpas para 2015. Quando escrevi o texto de exorcismo ainda era início de dezembro, mais precisamente no dia 7. Desde então foram 23 dias pensando sobre ele, o tom que usei e o quão depressivo estava. Achei que fui injusto. Precisava me desculpar.

Não que o ano esteja terminando bem e mereça a redenção. Não está, isso não mudou. Continuo achando que tá tudo uma bosta e que será preciso um esforço gigante para melhorar as coisas em 2016. A diferença é que agora tô empolgado. Ingenuamente empolgado, diria. Quero que as coisas deem certo no ano que vem e elas vão dar. Eu sei que vão.

Até porque o ano não foi de todo ruim. 2015 foi de muito aprendizado para mim, que precisei estudar bastante para arranhar um assunto que até então eu não dominava. Se hoje eu posso colocar no currículo sem medo, é porque me esforcei bastante ao longo do ano e os esforço foi, de alguma forma, recompensado.

Também brinquei bastante com meu canal do YouTube. Estou aprendendo na marra como fazer as coisas, os melhores formatos e como me diferenciar. Gravar e editar vídeos tem sido uma parte tão importante do meu dia que hoje não me vejo sem ela. Gosto da intimidade que criei com a Mariana (minha câmera) e minha cabeça fervilha de ideias. Tô curtindo bastante esse momento e 2015 foi a consolidação definitiva dele.

Tirando isso, foi um ano em que me passei bastante tempo com meus amigos e quem me conhece sabe o tanto que estar perto de amigos é importante para mim. De conversas regadas a café, partidas de vídeo-game que vararam a madrugada, butecos copo-sujo no centro da cidade, conselhos e risadas. Se eu aguentei tudo de ruim que falei no exorcismo é porque tinha eles do meu lado.

Além disso fiz uma viagem bem foda em junho. Foi meu primeiro mochilão sozinho, explorando o sul do Brasil como quem não quer nada. Descobri a paixão de visitar um estádio de futebol quando você não se importa com os times em campo e só quer curtir a festa. Vi que posso sobreviver bem sozinho. Que tenho surtos depois de muito tempo sozinho. Percebi a importância de um dia em casa deitado na cama para assistir Netflix. Fui turista e andei a pé por horas sem nem perceber. Subi morros na unha e nadei numa praia deserta. Foram as primeiras férias em muitos anos. Foram as melhores férias que eu podia planejar.

Passei os últimos dias pensando em tudo de bom que rolou em 2015 e parei de reclamar. Mesmo sendo um ano tão ruim, consegui aproveitar bastante. Agora é trabalhar. Tirar o fantasma de 2015 das costas e seguir em frente.

Espero não precisar fazer um texto de redenção em 2016. Espero que 2016 seja a minha redenção.

*Da mesma forma que fiz com o exorcismo, não vou revisar este texto. É para ser mais um desabafo, queria apenas a redenção.

Começou a escrever em 2008 para fugir de uma rotina massante no galinheiro e descobriu que era bom naquilo. Ou pelo menos achava que era, já que nunca conseguiu dar nenhum beijo na boca por seus textos. Dizem por aí que continua virgem, mas ele nega.