Queria começar essa frangospectiva saudando a mandioca.

Também queria saudar o granjeiro, que me obrigou a escrever essa merda por mais um ano, sempre contra a minha vontade. Estamos vivendo em uma ditadura bolivariana comunista tomada pelo Foro de São Paulo e ninguém percebe. É foda. Desde o ano passado venho pedindo o impitmã, impitiman… impeachment (não olhei no Google, juro) e ninguém me ouve. Não adiantou nada ir pras ruas, levar milhões e produzir uns bonecos infláveis maneiros. Nem o pixuleco foi suficiente pra tirar o filho da puta do cargo e não há nada mais para fazer. Pena que ser incompetente não é medida legal o suficiente.

Enquanto isso a gente fica na mão da Câmara dos Deputados. Certeza que o meu poleiro é mais limpo do que a ficha de c e r t o s relatores de projetos, membros de Comissões de Ética, e até mesmo de presidentes da casa, mas quem sou eu pra julgar aquelas falsianes, não é mesmo? O STJ tá aí para isso, não quero participar de nenhuma das torcidas organizadas formadas até agora.

Fico pensando aqui, se até Estados Unidos e Cuba viraram melhores amigos e agora deixam o coleguinha entrar e abrir a porta da geladeira, por que os políticos brigam tanto? Aposto que eles não colocam meta pra briga e, quando atingem a meta, dobram a meta. Só isso explica tanta confusão. É muita vontade de gritar CRISE por todos os lados. Essa novela da política brasileira só não está mais extensa dos que as fases da Lava Jato, que já deve estar no capítulo 7633 e longe de uma conclusão ainda.

O pior é passar o ano inteiro imaginando que as tais pedaladas fiscais se referiam às fotos do granjeiro pedalando pelas ciclovias vermelhas, que com certeza também têm uma conotação política. Pode nem fechar uma avenida em paz pra população se divertir que uns senadores aparecem na chuva pra reclamar do trânsito. Meça suas palavras, parça, não é assim que a coisa funciona.

Inclusive você pode substituir toda essa discussão de política por amenidades, por exemplo. 2015 foi aquele ano 99% anjo, perfeito, mas aquele 1% foi bem vagabundo. E dessa vez a culpa nem foi da lua, foi do Ximbinha mesmo. O resultado disso é que teremos dois Calypsos e não sei se a humanidade merece isso. Devia era mandar todo mundo se converter ao deboismo, entrar na suíte 14, com banheira de espuma, e deixar a lua só como testemunha.

E se é para problematizar, vamos problematizar tudo mesmo. Desde os assuntos que merecem, como o patriarcado que oprime a mulher na sociedade até coisas inúteis, como quebrar a placa de 100 mil inscritos no YouTube. Aliás, esse foi o ano das mulheres. Infelizmente não posso detalhar os feitos porque sou frango e frango não pode falar sobre feminismo, mas saibam que aconteceu muita coisa boa no caminho.

Pena que algumas delas não chegaram até mim porque o Whatsapp foi um mau menino e ficou bloqueado no Brasil. Como bom respeitador do sistema penal nacional, ele não cumpriu a pena completa. As horas que ficou fora do ar foram o suficiente para deixar todo mundo mais confuso que o John Travolta.

Inclusive teve gente que pregou que o respeito voltou, mas precisou dar um pulo na Sibéria para conferir umas coisa. Pelo menos ele teve só que ir até a Rússia, ao contrário de vários coleguinhas graúdos dele que ficaram pros lados da Suíça e terminaram banidos do futebol ou presos. E se o hexa foi pra favela, o mundo se voltou para um dos meninos da Vila e finalmente se rendeu aos encantos dele. Deve ser o corte de cabelo normal que ele decidiu adotar agora, sei lá.

“Ain, você tá falando do Neymar e se esqueceu de Mariana!”. A frangospectiva é minha e falo do que eu quiser, quem é você pra ditar qual crise merece mais a minha atenção? Eu falo daquela tragédia de Mariana se eu quiser. Também posso falar dos atentados da França se quiser. Ou do menino sírio morto na praia. Ou se sou ou não Charlie. “Ain, vou fechar esse texto agora”. É mesmo? Que merda.

Assim voltamos para a espiral de problematizações exageradas que foi esse ano. Amanhã eu volto com a segunda parte da frangospectiva e prometo que não vou fazer igual ao Chatô e demorar 2542 anos para postar.

Enquanto isso você bem que podia me mandar uns nudes, nunca te pedi nada.

Começou a escrever em 2008 para fugir de uma rotina massante no galinheiro e descobriu que era bom naquilo. Ou pelo menos achava que era, já que nunca conseguiu dar nenhum beijo na boca por seus textos. Dizem por aí que continua virgem, mas ele nega.