Bandeirinhas coloridas dependuradas no alto dos poleiros. Tempo frio e seco. Cheiro de canjica no ar. Todo mundo bêbado de quentão. Galinhas passeando com chapéu de palha como se essa fosse a última moda em Paris. É, parece que junho já chegou aqui no galinheiro.

Infelizmente, tenho que dizer. Duvido vocês encontrarem alguém que odeia mais festa junina do que eu. Quem em sã consciência faz uma festa inteira onde o milho é protagonista? Eu me pergunto todos os dias como alguém pode gostar de milho. Já falei setenta milhões de vezes, mas vale sempre reforçar: uma coisa dura, pequena, amarela e com gosto ruim não pode ser usada como comida. Minha esperança é que algum dia alguém acredite em mim e promova uma extinção do milho em todo o planeta.

Queria que o granjeiro ouvisse isso, já que ele resolveu ampliar o estoque daquela bolota amarela maléfica e parece que vamos ser obrigados a comer isso pro resto da nossa vida. Tenho vontade de chorar quando acordo e vejo que tem milho para o café da manhã. Na verdade, minha vontade é colocar o granjeiro numa panela e fazer uma torta. Só para ele deixar de ser otário e nos servir comida direito.

Se você acha que meu ódio pelo milho atinge níveis absurdos é porque ainda não me ouviu falar da quadrilha. Como garanhão reprodutor da granja, sempre fui o noivo no casamento. E tenho pânico de casamento. Só de pensar em colocar um terno e dizer sim, minhas penas arrepiam inteiras. Pra completar, o apresentador é sempre aquele galo velho caquético. Ele nunca vai perder esse posto. Vou morrer sem entender o que ele fala na hora da dança.

Aliás, por falar em dança, ela é outra coisa que me faz odiar festas juninas. Para começar, nunca entendo aquelas palavras em uma língua bizarra. “Anarriê” não significa nada na minha vida. E depois ainda me gritam “olha a chuva” e querem que eu finja alguma coisa. Eu sou péssimo ator, sempre faço aquela cara de paisagem e continuo dançando. A felicidade é quando gritam “é mentira!” e eu posso voltar a balançar meu corpo igual um idiota.

Outra coisa lastimável é a tal barraca do beijo. Confesso que não seria tão lastimável se a voluntária fosse aquela galinha gostosa do poleiro de cima. Mas todos têm uma chance para adivinhar quem sempre ocupou esse lugar. É claro que estou falando daquela gorda com celulite. Nem preciso falar que a barraca é um fracasso todos os anos.

É por essas e por outras que fico muito azedo nessa época. Por mim, junho podia nem existir. Pular de maio para julho direto, se possível. E que esse ano nenhum engraçadinho tente me prender na cadeia de novo.

Vou desativar meu antigo blog, o “Memórias de um frango”. Para isso, vou resgatar as crônicas que estavam postadas lá, dar uma repaginada e trazer para cá. Como o próprio título diz, essa é uma crônica que foi postada no meio de junho, nas comemorações mais especiais do ano. Sim, ao contrário do frango, eu adoro festa junina.

Começou a escrever em 2008 para fugir de uma rotina massante no galinheiro e descobriu que era bom naquilo. Ou pelo menos achava que era, já que nunca conseguiu dar nenhum beijo na boca por seus textos. Dizem por aí que continua virgem, mas ele nega.