Mais uma vez faço uma pausa nas minhas reflexões para avaliar um problema que assola o mundo há milênios. Depois de desvendar quem veio primeiro, é hora de descobrir por que raios o frango atravessou a rua.

Para início de conversa, preciso falar que nunca atravessei uma rua. Moro em uma fazenda, dentro de um galinheiro. Por motivos mais que óbvios, aqui não tem ruas. Mas consigo imaginar bem o motivo de um frango querer atravessar.

Pensa comigo. Você está ciscando tranquilamente por um lado da rua quando avista, lá ao longe, aquela galinha gorda maléfica, cheia de celulite. Ela te vê, abre um sorriso e esboça vir na rua direção. O que te resta a fazer? Fingir que não viu e atravessar a rua, claro!

Outra situação: você está passeando tranquilamente quando vê uma galinha mega gostosa do outro lado. Como garanhão reprodutor dessa granja, eu atravessaria na hora. Simples e prático.

E tem gente que ainda vem dizer que o frango atravessou porque quis. Alguém em sã consciência atravessa uma rua simplesmente porque quer? Não. Ou do outro lado tem uma coisa muito interessante (por exemplo, comida) ou o lado que você está não te serve mais (por exemplo, uma galinha que você não quer comer).

Mas uma coisa tenho que admitir. As ruas são muito perigosas. Sou um frango e tenho, no máximo, uns 40 cm de altura. Vocês já viram o estrago que os carros fazem com as pombas? E olha que aquelas desgraçadas sabem voar. Imagina o que fariam com um pobre franguinho que tentasse atravessar uma rua?

Soube da história de um tio do primo do vizinho da minha ex-peguete que morreu atropelado. Não conseguiram achar a cabeça dele até hoje. Ele estava andando na beirada de uma BR para encontrar com uma pata selvagem quando um fusca azul calcinha passou e o atropelou.

Tem forma pior de morrer? Atropelado por um fusca. Azul calcinha, ainda por cima. Eu me mataria se morresse desse jeito. O pior foi o enterro. Ou melhor, a falta de enterro. Só conseguiram montar o corpo sem cabeça depois de muito trabalho para juntar as partes.

Eu é que não quero atravessar uma rua e morrer desse jeito. Então, da próxima vez que alguém perguntar “por que um frango atravessou a rua?”, responda que ele é inteligente e não faz esse tipo de burrada.

Ou que tinha uma galinha gostosa do outro lado.

Vou desativar meu antigo blog, o “Memórias de um frango”. Para isso, vou resgatar as crônicas que estavam postadas lá, dar uma repaginada e trazer para cá. Mais uma vez me dispus a responder uma das dúvidas mais importantes do mundo moderno e, como podem ver, acho que cheguei na resposta definitiva que deve ser usada a partir de agora.

Começou a escrever em 2008 para fugir de uma rotina massante no galinheiro e descobriu que era bom naquilo. Ou pelo menos achava que era, já que nunca conseguiu dar nenhum beijo na boca por seus textos. Dizem por aí que continua virgem, mas ele nega.