Alguém me explica a sexta-feira santa? Não entendo um feriado que comemora a crucificação de alguém e, para completar, é preciso se martirizar não comendo carne. Aliás, peixe não é carne? É tão carne quanto os frangos. Ah, deixa pra lá, comam os peixes mesmo. Eles merecem. Principalmente o bacalhau. Ninguém mandou feder tanto, merece ir para a panela por atentado contra a humanidade.

Mas tudo isso passou. Hoje já é sábado e amanhã é um dos melhores dias do ano. Esqueça aquela história de Jesus ressuscitado, o verdadeiro espírito da páscoa é o chocolate. Não tem nada melhor do que acordar de manhã e encontrar um ovo entregue pelo “coelhinho” da Páscoa bem ao lado do poleiro.

Nunca engoli essa história de coelho botando ovo. Se fosse o ornitorrinco da Páscoa, eu até aceitava um mamífero em destaque. Mas o coelho não dá. Proponho uma mudança: por que não uma galinha da páscoa? Muito mais prático, ela mesma botaria os ovos de chocolate, entregaria e ganharia a fama por isso. Quem sabe nossa raça obteria um pouco de respeito? Vamos fazer passeatas exigindo os direitos dos frangos!

Droga, perdi o assunto. Onde eu estava mesmo? Ah sim, nas galinhas lambuzadas de chocolate. Meu presente de Páscoa ideal seria uma luta de duas galinhas super gostosas em uma piscina cheia de chocolate ao leite. E com direito a poder lambê-las inteiras depois.

Opa, acho que fui um pouco longe, deixa eu voltar para a realidade. Só consigo pensar nos chocolates de amanhã. E tem gente que ainda fala que bichos não podem comer esse presente dos deuses. Que mentira, sempre comi e estou muito bem, obrigado. Tirando a vez que tive dor de barriga, mas acho que foi porque comi demais. Não que eu me arrependa. Espero passar mal de novo, se for possível.

Quero, no mínimo, um ovo de chocolate de cada galinha desse galinheiro. Ou pelo menos da galinha gostosa do poleiro de cima, porque o dela já está comprado há semanas. Essa páscoa podia finalmente fazer ela se amolecer e ceder aos meus encantos. Ia ser ótimo. Chocolate, galinhas e um amorzinho gostoso.

Alguém pode imaginar um feriado melhor? Eu não.

Vou desativar meu antigo blog, o “Memórias de um frango”. Para isso, vou resgatar as crônicas que estavam postadas lá, dar uma repaginada e trazer para cá. Como deu para perceber, essa crônica foi escrita na época da Páscoa de 2009 e traz luz a uma outra dúvida que assola a humanidade: por que raios um coelho?

Começou a escrever em 2008 para fugir de uma rotina massante no galinheiro e descobriu que era bom naquilo. Ou pelo menos achava que era, já que nunca conseguiu dar nenhum beijo na boca por seus textos. Dizem por aí que continua virgem, mas ele nega.