Férias é aquela eterna sensação de esquecer os compromissos e se desesperar quando eles retornarem. É melhor ainda quando você não estava esperando por elas. Tudo porque o galo velho que me dá aulas de “como ser um galo” se cansou de mim e resolveu viajar. Simples assim. Tem quase um mês que não vejo ele aqui no galinheiro e espero que ele tenha morrido.

Credo, nem pra ele eu consigo desejar isso. Se bem que, nas férias, meus instintos mais brutais ficaram atacados. A sensação de não ter nada pra fazer que me deixa assim. Nesse mês, devo ter cometido todos os pecados capitais. O principal, lógico, foi a preguiça. Que delícia é ficar no poleiro até tarde, sem fazer nada! E depois sair para tomar um sorvete, sentar em uma cadeira e ficar lá de bobeira a tarde inteira.

E nem me fale em sorvete. A gula é outro pecado que pratiquei bastante. Estou comendo igual a um leitão, se é que a mãe natureza permite esse tipo de comparação. É chocolate, bolo, sorvete, frutas, minhocas, mato. Tudo que apareceu na minha frente eu comi.

Menos a gorda com celulite. Essa não tirou férias e continua me atormentando o dia inteiro. Se for pra cometer o pecado da luxúria, tomara que não seja com ela. Torço para ser com a galinha gostosa do poleiro de cima. Essa sim ativa todos os sinais de luxúria desse frango. Eu invejo muito aquele frango bombado que conseguiu pegar ela ano passado. Invejo todos aqueles músculos bem definidos que nunca vou ter pela preguiça que domina meu ser.

A inveja é tão grande que tem dias que minha única vontade é matar aquele exibido. Ele fica passeando por aí exibindo os músculos que eu queria ter. É uma ira incontrolável que surge em mim. Meu projeto Verão Sarado 2009 já foi pro saco há muito tempo e ainda tenho que ficar vendo uns frangos se exibindo por aí. Filho da puta!

Calma frango, calma. Sem nervosismo, afinal não tem nenhum frango nesse galinheiro melhor que você. É você o escolhido para ser o Garanhão Reprodutor desse lugar. As galinhas todas rastejam nas suas patas. É só você balançar as asas que elas vêm voando na sua direção. Ou não, né. Preciso admitir que a soberba subiu a minha cabeça. Quem sabe se eu tivesse mais dinheiro as galinhas realmente iam chover em cima de mim. E um carrão. Isso mesmo, muito dinheiro e um carrão iam fazer um tremendo sucesso com as frangas daqui.

Epa, avareza já é demais. Preciso me recompor, deixar a preguiça de lado, levantar desse poleiro e chamar a galinha gostosa pra ir comer alguma coisa comigo. Esse negócio de ficar pensando em pecados não funciona, tenho é que praticá-los de alguma forma.

Vou desativar meu antigo blog, o “Memórias de um frango”. Para isso, vou resgatar as crônicas que estavam postadas lá, dar uma repaginada e trazer para cá. Em 2009, eu e uns amigos da faculdade criamos o blog Sete Pecadores. Cada um de nós tinha um tema e um pecado. O meu era a Ira, falando sobre esportes. A ideia para essa crônica veio das nossas primeiras reuniões de pauta.

Começou a escrever em 2008 para fugir de uma rotina massante no galinheiro e descobriu que era bom naquilo. Ou pelo menos achava que era, já que nunca conseguiu dar nenhum beijo na boca por seus textos. Dizem por aí que continua virgem, mas ele nega.