Hoje foi o último dia de provas pra faculdade aqui do galinheiro. Não tenho que fazer mais essas coisas, mas mesmo assim elas me incomodaram muito. Sabe o que é você ser o único frango em treinamento do galinheiro? Provavelmente não. Então vou listar o que eu tive que fazer nesses dias pra trás.

O responsável por acordar todo mundo e não deixar ninguém chegar atrasado sou eu. Então, ao nascer do sol, subi no telhado do galinheiro e cantei. Seria mais fácil se essas galinhas preguiçosas arrumassem um despertador. Quando pensei que ia ficar livre, tive que ficar na porta do prédio orientando pré-calouros. Nunca vi um bicho mais desesperado que pré-calouro. Não vi ninguém em seu estado normal hoje.

Dou um desconto pra eles porque seu ano inteiro de estudos está sendo avaliado em uma única prova. Se você não sabe uma questão, você simplesmente se fode. Simples assim. Mas deixando de lado a forma de avaliação, onde eu estava mesmo? Ah sim, na galinha gostosa que foi fazer prova na sala que vigiei. Sério, por que essas galinhas não entram na faculdade? Será que a hiper beleza é inversamente proporcional à inteligência?

Enfim, tinha todo tipo de estudante naquele lugar. Sabe aqueles nerds que parecem o galinho Chicken Little da Disney? Era o que mais tinha. No meio deles, uns frangos que pareciam não saber o que estavam fazendo ali, completamente perdidos. Tinha umas galinhas que levaram chocolate e outros doces em embalagens muito barulhentas, que faziam todo mundo desconcentrar quando elas abriam. E tinha a franguinha gostosa… ah, dessa nunca vou me esquecer!

Tá bom, deixa eu voltar pra realidade. Uma galinha daquelas nunca vai dar bola prum frango como eu e, se der, vou ser frango o suficiente para não fazer nada. É minha vida, já acostumei. Fiquei todos os dias das provas babando nela. Isso porque eu tinha que vigiar aquele bando de frangos e frangas.

O pior é que revezei na porta do banheiro com o outro vigia. Que coisa mais entediante. Ficar olhando se alguém tinha algum aparelho eletrônico não é nada animador. Quase dormi. Só fiquei feliz quando voltei pra sala e reencontrei minha nova musa.

Na verdade, tô feliz que isso acabou. Daqui duas semanas tem o resultado. Até lá, todo mundo fica mais desesperado ainda, arrancando as penas e surtando. Aposto que vão detectar a doença do frango louco por aqui. Aliás, existe a doença do frango louco? Depois tenho que jogar no Google pra ver se isso existe.

Mas tem uma coisa que me deixa animado. Se aquela galinha não tiver passado, pelo menos vou poder consolá-la.

Vou desativar meu antigo blog, o “Memórias de um frango”. Para isso, vou resgatar as crônicas que estavam postadas lá, dar uma repaginada e trazer para cá. No início de 2009, foi a primeira vez que apliquei prova de vestibular da UFMG. Eu estava lá de bobeira e perguntaram se eu queria. Como ia pagar bem, fui. A experiência está mais ou menos descrita no texto, tirando a parte da galinha gostosa. Isso eu deixo só para o frango mesmo.

Começou a escrever em 2008 para fugir de uma rotina massante no galinheiro e descobriu que era bom naquilo. Ou pelo menos achava que era, já que nunca conseguiu dar nenhum beijo na boca por seus textos. Dizem por aí que continua virgem, mas ele nega.